James Cameron diz que compra da Warner pela Netflix vai ser ‘desastrosa’

O futuro da indústria cinematográfica norte-americana está sob grave ameaça, segundo um dos diretores mais rentáveis e influentes da história de Hollywood . James Cameron, o cineasta responsável por sucessos de bilheteria como Titanic , O Exterminador do Futuro e a franquia Avatar , manifestou-se publicamente contra a possível compra da Warner Bros. pela gigante do streaming Netflix. Para o veterano, a concretização desse negócio bilionário causará danos irreversíveis ao setor de exibição tradicional. O mercado já enfrenta desafios monumentais desde a pandemia e a ascensão do consumo digital doméstico. + Leia mais notícias de Cultura em Oeste As críticas foram formalizadas em uma carta enviada na última semana ao senador republicano Mike Lee, representante do Estado de Utah. Lee preside o subcomitê do senado norte-americano focado em questões de antitruste, política concorrencial e direitos do consumidor. O órgão governamental tem a responsabilidade de fiscalizar e promover debates aprofundados sobre fusões corporativas dessa magnitude. No documento, que foi obtido e divulgado pela rede CNBC nesta quinta-feira, 19, Cameron é categórico ao prever uma crise sistêmica sem precedentes. Ele alerta que a transação inevitavelmente levará ao fechamento em massa de salas de cinema por todo o país. https://www.youtube.com/watch?v=yXPWsdT43YE O impacto em toda a cadeia produtiva Além do baque direto na exibição, o diretor aponta um forte efeito cascata que atingirá toda a cadeia produtiva audiovisual. Cameron argumenta que a fusão resultará na produção de um número significativamente menor de longas-metragens. Isso asfixiará prestadores de serviço, como as empresas especializadas em efeitos visuais, forçando muitas a encerrarem suas atividades em definitivo. A consequência primária desse cenário, segundo o cineasta, será uma onda descontrolada de demissões que afetará milhares de profissionais em diversas áreas de atuação. Ele destaca que a divisão de cinema da Warner Bros. é um dos poucos grandes estúdios tradicionais remanescentes no mercado atual. A empresa é responsável por lançar cerca de 15 filmes por ano exclusivamente nas telonas, um volume contínuo de conteúdo do qual a já combalida comunidade de exibidores depende desesperadamente para manter suas portas abertas e suas operações financeiramente viáveis. O choque entre o streaming da Netflix e a tradição O ponto central da argumentação de James Cameron repousa na incompatibilidade fundamental entre os modelos de negócio das duas corporações. O diretor descreve o formato da Netflix como diametralmente oposto à lógica da produção e exibição teatral que fomenta a economia criativa atualmente. Ele expõe uma imensa preocupação com a drástica diminuição das janelas de exibição exclusivas. Enquanto a Netflix propõe um período de apenas 17 dias de exclusividade nos cinemas para seus lançamentos, a indústria tradicional defende um mínimo estabelecido de 45 a 60 dias para garantir o lucro das bilheterias. Para Cameron, qualquer promessa governamental ou corporativa sobre prazos perde o sentido se não vier atrelada a um compromisso firme sobre o volume de salas contempladas. O cineasta acusa a plataforma de streaming de não enxergar um modelo de negócio real e sustentável nas salas de cinema. Ele aponta que a empresa utiliza o circuito de exibição apenas de forma simbólica, geralmente sob pressão de diretores de alto prestígio e com o intuito quase exclusivo de qualificar suas obras para grandes premiações, como o Oscar. Ao finalizar o apelo aos legisladores, Cameron revela sentir que sua própria criatividade e produtividade estão sendo diretamente ameaçadas por essa transição de poder corporativo. Ele assume a incômoda postura de porta-voz de uma classe trabalhadora temerosa, afirmando que roteiristas, produtores, membros de equipes técnicas e sindicatos compartilham da mesma angústia sobre o futuro de suas carreiras. Muitos desses profissionais, no entanto, optam pelo silêncio por medo de retaliações financeiras do mercado, visto que a Netflix continuará sendo uma das maiores e mais importantes empregadoras do setor de entretenimento no futuro próximo. O post James Cameron diz que compra da Warner pela Netflix vai ser ‘desastrosa’ apareceu primeiro em Revista Oeste .