Longe dos excessos que marcaram outras décadas, a estética dos "seios de bailarina" começou a circular com força nas redes sociais e atravessou rapidamente a tela do celular para chegar aos consultórios de cirurgia plástica. Ao propor leveza, proporção e naturalidade, o conceito vai além de uma tendência visual e aponta para uma mudança de percepção sobre beleza, autenticidade e liberdade de escolha. A pergunta que surge é inevitável: trata-se de mais um modismo ou de um novo capítulo na forma como as mulheres se relacionam com o próprio corpo? Confira: Após críticas, Marina Ruy Barbosa inspira reflexão sobre naturalidade e padrões de beleza Veja: Relato de Paolla Oliveira no carnaval repercute ao abordar pressão estética e vulnerabilidade O termo "Ballerina Boobs" descreve mamas discretas, harmoniosas e com contornos suaves, em sintonia com a silhueta — uma imagem que remete à delicadeza e à força das bailarinas. O conceito tem sido associado a procedimentos menos ostensivos e a resultados que respeitam a anatomia individual, em contraste com o volume exagerado que já dominou o imaginário estético. Para o cirurgião plástico Paulo Ricardo Rocha, especialista em mama estruturada, o fenômeno reflete uma transformação mais ampla. Segundo ele, a decisão não deve estar ancorada em tendências, mas na identidade de cada paciente. "Não é apenas uma tendência. Estamos falando de harmonia corporal, simetria, leveza e liberdade. É uma beleza que se traduz de forma sutil, de acordo com quem busca. O resultado precisa refletir o perfil da paciente, e não um padrão imposto", explica. A popularização do tema também reacende questionamentos frequentes entre mulheres que já têm seios pequenos e proporcionais. Optar pelo implante pode comprometer essa estética no futuro? É possível reverter uma escolha? A discussão, cada vez mais presente, evidencia que o desejo estético dialoga com diferentes fases da vida. "O ser humano é composto por fases. O corpo conversa com o perfil atual da pessoa, e é justamente por isso que a cirurgia plástica tem um papel tão importante dentro do contexto cultural e social de cada paciente", afirma o médico. No ambiente digital, onde imagens circulam em ritmo acelerado, cresce o receio de que o conceito se transforme em um novo padrão feminino, fenômeno recorrente na história da cirurgia plástica. Para o Dr. Paulo, a lógica deveria ser outra. "Em cirurgia plástica, não se espera um modismo. O que se espera é um procedimento bem indicado, que trate as queixas do paciente e busque valorizar a beleza e o bem-estar de quem recebe", reforça. Outro ponto sensível está na maneira como esses resultados são apresentados online. Recortes de "antes e depois" podem sugerir um processo simples e imediato, sem revelar as etapas envolvidas, os cuidados necessários e o tempo de recuperação. "As redes sociais mostram o pontual, o resultado final. O papel do bom profissional é esclarecer todo o caminho até esse resultado, com segurança, qualidade e acolhimento", destaca. Diante desse cenário, surge a provocação: o sucesso dos chamados "seios de bailarina" decretaria o fim da era das mamas volumosas? A avaliação é de que diferentes propostas devem coexistir, refletindo perfis, desejos e contextos variados. "Nenhuma pessoa é igual à outra. Cada tratamento é específico, de acordo com a necessidade e a expectativa da paciente. Quem busca sutileza e naturalidade se encaixa nesse perfil, podendo utilizar a própria arquitetura da mama, enxerto de gordura ou até implante de silicone, conforme cada caso. Esses estilos vão conviver por muito tempo, ampliando cada vez mais as possibilidades de tratamento", conclui.