Aos 55 anos, Andre Agassi se prepara para ter sua vida apresentada sem cortes para milhões de pessoas. Uma década e meia após o lançamento da sua biografia “Open: A minha história”, o livro servirá de base para um documentário em vários episódios produzido pela Apple TV, ainda sem data de lançamento. Considerado uma das biografias esportivas mais influentes na literatura, o livro teve milhares de cópias vendidas. Hoje, porém, virou quase peça de colecionador. Por isso, Agassi quis reviver todo o processo para contar sua história novamente às novas gerações em uma nova plataforma. — Cerca de um, dois anos atrás, comecei a levar mais a sério o projeto. Percebi, começando pelos meus próprios filhos, que essa nova geração não lê tanto quanto antes. E entendi que minhas experiências são relevantes para diferentes realidades, para a saúde mental e para o crescimento das crianças — disse. Agassi participou da escolha da equipe criativa do projeto, mas não terá o poder de editor. — Precisa ser autêntico. Precisa ser verdadeiro. Precisa ser transparente. Espero que alguém termine de assistir sentindo que não apenas aprendeu mais sobre mim, mas que talvez tenha aprendido algo sobre si mesmo — explicou. Hoje palestrante, Agassi utiliza a experiência de quem viveu intensamente sob pressão, especialmente do seu pai, Mike, para falar abertamente sobre saúde mental. Algo que, na sua época, não era tão comum. Pai de um casal de filhos — Jaden, de 25 anos, e Jaz, de 23 —, o ex-tenista, casado com a multicampeã Steffi Graf, optou por criá-los longe dos holofotes. Porém, ele reconhece o poder das redes sociais para o bem e para o mal em relação ao excesso de exposição. — Já não é mais tabu falar sobre suas próprias dificuldades. E as redes sociais podem ser uma aliada. Você tem uma plataforma para comunicar isso, se identificar e se conectar com pessoas que entendem o que você está passando. Pode ser uma ferramenta, embora também possa ser perigosa. Acho saudável que as pessoas estejam mais livres para falar sobre isso. O que não é exposto não pode ser curado — afirmou ele, ressaltando que os jovens precisam ter cuidado para não terem suas identidades definidas pelas redes. Com oito títulos de Grand Slam e uma medalha de ouro olímpica em Atlanta-1996, Agassi sentiu na pele a força destrutiva das críticas. Hoje, ele já fez as pazes com o tênis e sente apenas gratidão: — Estive revisitando muitos artigos e arquivos da época em que eu era adolescente, e era cruel. Vi muitas imagens antigas minhas em que um jornalista perguntava na televisão: “Você se sente um perdedor? Um fracasso? Um subestimado na sua carreira?” Era muito duro. E ainda era tão jovem. E há tantos jovens hoje também... Hoje as pessoas entendem um pouco mais sua responsabilidade.