Grupo de teatro de rua ocupa museus na Zona Norte

Pela primeira vez em seus 23 anos de trajetória, a companhia de teatro de rua Aslucianas, sediada na Penha, ocupa museus da Zona Norte. A partir de um edital estadual, o grupo leva o espetáculo “Sorrio maravilha”, de comédia musical, gratuitamente ao Museu da Maré, na sexta, às 10h e às 15h; e ao Museu do Samba, na Mangueira, no próximo sábado, às 10h, e no dia 5, às 10h e às 15h. As apresentações, que convidam o público a conhecer os acervos ao fim de cada espetáculo, contam com tradução em Libras e uma sessão com audiodescrição. Protagonizada por atriz surda: Peça sobre menina com deficiência auditiva estreia na Tijuca Além do baile: Professor da Zona Norte vai levar o charme a Paris De linguagem popular, interativa e marcada pela música ao vivo, a montagem percorre a história cultural do Rio de Janeiro desde o primeiro avistamento da cidade, em 1502, até os dias atuais. Personagens históricos, manifestações culturais, contradições sociais e símbolos da cidade aparecem costurados pelo humor e pela poesia, em uma narrativa que busca provocar identificação e reflexão crítica sobre a construção da chamada Cidade Maravilhosa. Para a diretora Luciana Ezarani, uma das fundadoras do grupo, a chegada das Aslucianas aos museus representa um movimento simbólico e político de ocupação desses espaços pela população. Apresentação do espetáculo "Sorrio Maravilha", que fala sobre a história do Rio de Janeiro Divulgação/Danilo Sérgio — Acho muito importante ocupar esse espaço nos museus. O espetáculo conta a história cultural do Rio, mas dentro da proposta do museu, agregando coisas dinâmicas, performance, para depois chamar as pessoas a conhecerem esse acervo — afirma. Criado em 2010 e constantemente atualizado, “Sorrio maravilha” dialoga com diferentes momentos da cidade, incorporando acontecimentos marcantes como grandes eventos internacionais, transformações urbanas e mudanças no cenário urbano e simbólico do Rio. A montagem mistura narração de histórias, teatro popular e música 100% ao vivo, inspirada, segundo a diretora, no livro “Canções do Rio”, o que reforça o caráter musical da peça. Na obra, o autor Marcelo Moutinho mostra como compositores cantaram o Rio em diferentes épocas e gêneros. — A nossa ideia sempre foi popularizar. Somos um grupo de teatro de rua da Penha, e o teatro de rua é popular. Então, quando vamos para um museu, o desejo é também popularizar esse espaço, fazer as pessoas saberem que ele está ali, que é um espaço público e que pode ser ocupado — destaca Luciana. Fundado há 23 anos, o grupo Aslucianas constrói uma trajetória marcada pela atuação contínua em praças, escolas, festivais e teatros da Zona Norte, como o Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, além de circulação por outros estados e participações em festivais nacionais. Formada majoritariamente por artistas da Zona Norte, a companhia se reúne para pesquisar, criar e difundir uma arte comprometida com identidade, território e cultura popular, tendo sido premiada em festivais fora do Rio. — A minha vida inteira é nessa batalha de trazer valorização para a arte. O teatro leva identidade. Quando você valoriza raiz, essência e território, você cria pensamento crítico, político e cidadão. Do micro, que é o bairro, até o macro, que é o país — afirma a diretora. Além das apresentações abertas ao público, o projeto aposta em parcerias com escolas públicas da região, reforçando o diálogo entre cultura e educação. Na próxima sexta, alunos do Colégio Estadual Heitor Lira, na Penha, assistirão a uma sessão pela manhã, e estudantes do Colégio Estadual Olga Benário Prestes, em Bonsucesso, acompanharão o espetáculo à tarde no Museu da Maré. No sábado, a programação inclui uma apresentação com audiodescrição voltada a um grupo de pessoas com deficiência visual. Já no dia 5 de março, estudantes do Sistema GAU de Ensino, na Penha, e novamente do Olga Benário Prestes assistirão a sessões no Museu do Samba. — A educação é de fundamental importância. Onde a gente consegue plantar uma semente, está valendo. Tem alunos que nunca entraram em um teatro ou em um museu. A ideia é abrir portas — reforça Luciana. Outro desafio: Após 200 anos, reintrodução das araras-canindés no Rio avança para novo estágio A programação do projeto também incorpora performances curtas de artistas e grupos convidados, ampliando o diálogo com diferentes linguagens da cultura popular carioca. Estão previstas apresentações de jongo, dança de rua, grupos musicais e um casal mirim de mestre-sala e porta-bandeira com síndrome de Down, reforçando o caráter inclusivo da iniciativa. — Não adianta querer crescer sozinho. Quando a gente forma rede, divide espaço e dá visibilidade a outros artistas, todo mundo cresce junto — resume a diretora. Ao ocupar museus de território com um espetáculo acessível, educativo e popular, o grupo Aslucianas reafirma a importância das políticas públicas de fomento à cultura. — Se a gente não valorizar a nossa história, quem vai? A gente tem o direito de atravessar a porta do museu, ocupar esse espaço e se reconhecer ali dentro — conclui Luciana. Incentivo ao esporte Um projeto esportivo desenvolvido no Complexo da Maré está com inscrições abertas para atividades gratuitas voltadas a crianças e jovens. Realizada pelo Instituto Uevom, a iniciativa oferece 1.086 vagas em modalidades como basquete, dança, ginástica artística, futebol, natação, parkour, skate e vôlei, além de atividades aquáticas adaptadas e dança adaptada, garantindo a participação de pessoas com deficiência. Projeto esportivo desenvolvido no Complexo da Maré está com inscrições abertas Michele Gomes As aulas, na Vila Olímpica Seu Amaro, atendem participantes de 1 a 17 anos. No caso de pessoas com deficiência, não há limite de idade. As vagas são destinadas, majoritariamente, a moradores da Maré. As inscrições são presenciais e seguem abertas enquanto houver vagas disponíveis. O atendimento vai de terça a sexta-feira, das 9h às 16h; e aos sábados, das 8h30 às 11h, na Rua Tancredo Neves s/nº. Para se inscrever, é necessário apresentar documentos pessoais, comprovante de residência, declaração escolar e atestado médico para prática esportiva. No caso de pessoas com deficiência, também é exigido laudo médico. 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