Delegado-geral que virou alvo do MP por caso Orelha confirma pré-candidatura e anuncia saída do cargo

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, confirmou a pré-candidatura a deputado estadual pelo PL e anunciou que deixará a corporação para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do estado, conforme determina a lei. Em comunicado publicado nas redes sociais, ele afirmou que passará a se dedicar a "mais uma nova missão". O nome dele ganhou especial projeção a partir de janeiro, quando a morte de cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, gerou comoção nacional. Por mais de uma vez, o delegado-geral usou as redes sociais para rebater críticas à apuração das agressões ao cachorro, chegou a atribui-las a supostas "motivações escusas" e enfileirou ataques à esquerda. Pelo Instagram, Ulisses Gabriel citou o vínculo com o governador do estado, Jorginho Mello (PL), do qual será correligionário, e destacou que deixará a PCSC no prazo da Lei Eleitoral. "Depois de 22 anos como servidor de carreira, 19 anos como delegado de polícia e 3 anos e 2 meses como delegado-geral, escolhido pelo Governador Jorginho, vou me dedicar a uma nova empreitada, agora como pré-candidato a Deputado Estadual pelo PL, devendo me desincompatibilizar no prazo da Lei Eleitoral, que são pelo menos 6 meses antes do pleito", escreveu. Alvo do MP Em nota enviada à imprensa, à época da instauração do procedimento, Ulisses Gabriel adisse ter entendido que tudo decorre de supostas falas durante uma coletiva da imprensa de 27 de janeiro.procedimento preparatório após o recebimento de diversas representações contra a atuação do chefe da corporação após a morte do cão comunitário. A medida tem como objetivo avaliar a necessidade de abertura de inquérito civil. Em nota enviada à imprensa, à época da instauração do procedimento, Ulisses Gabriel afirmou estar "absolutamente tranquilo" e confiar no trabalho do MP. "Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público", sustentou. Pré-candidato a deputado estadual, Ulisses Gabriel sugeriu que representações contra a sua conduta e a atuação da Polícia Civil teriam motivação política. O procedimento ocorre em meio a questionamentos já feitos pelo próprio Ministério Público em relação à investigação conduzida pela Polícia Civil. Após a conclusão do inquérito que apontou um adolescente como responsável pelas agressões e pediu a internação do jovem — medida equivalente à prisão no caso de adultos —, promotorias com atribuições distintas identificaram lacunas e inconsistências nos autos. O corpo de Orelha foi exumado para nova perícia. Na área da Infância e Juventude, a 10ª Promotoria solicitou a inclusão de novos vídeos relacionados aos atos infracionais investigados. Já na esfera criminal, a 2ª Promotoria pediu esclarecimentos adicionais para apurar possível coação no curso do processo e a oitiva de novas testemunhas. Também foram determinados novos depoimentos do porteiro e de um vigilante de um condomínio na Praia Brava, onde teria ocorrido uma discussão envolvendo três adultos indiciados por coação e ameaça durante a apuração do caso. O Ministério Público requisitou ainda a juntada de vídeos que mostrassem as conversas entre os suspeitos, para permitir a identificação detalhada dos envolvidos. Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser socorrido por moradores e levado a uma clínica veterinária. Laudos iniciais da Polícia Científica apontaram que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por chute ou por objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa. Em nota, na ocasião, a Polícia Civil informou que cumpriria os pedidos de diligência com celeridade, para que a denúncia pudesse seguir à Justiça com as demais provas reunidas. O delegado-geral negou qualquer irregularidade em sua atuação.