A imagem de Andrew Mountbatten-Windsor deixando uma esquadra da polícia na pequena cidade de Aylsham, em Norfolk, curvado no banco traseiro de um carro, dominou as primeiras páginas dos principais jornais britânicos. O registo, feito na noite de quinta-feira, tornou-se imediatamente um dos retratos mais emblemáticos da crise envolvendo o ex-príncipe. Prisão do ex-príncipe Andrew no Reino Unido aumenta pressão nos EUA por justiça no caso Epstein Na véspera, ele se tornou o primeiro membro da família real britânica, na história moderna, a ser detido. O irmão mais novo do rei Charles III passou mais de dez horas sob custódia antes de ser libertado “sob investigação”. A polícia não detalhou os elementos que motivaram a detenção por suspeita de má conduta no exercício de funções públicas. A fotografia que dominou as capas foi capturada por Phil Noble, fotógrafo sénior da agência Reuters. Segundo ele, o registo foi resultado de preparação, persistência — e um grau significativo de sorte. Noble percorreu cerca de cinco horas até Norfolk após a divulgação da notícia. Diante da incerteza sobre o local exato da detenção — havia diversas esquadras possíveis na jurisdição — a equipe da Reuters percorreu diferentes pontos até identificar aquela que poderia ser a correta. — Provavelmente esta foi a quarta ou quinta esquadra que visitamos naquela noite — relatou em entrevista a CNN. Pouco antes da saída de Andrew, o fotógrafo já havia deixado o local, mas regressou após receber uma mensagem da colega alertando para a chegada de veículos à garagem da esquadra. Minutos depois, as portas se abriram. — Os deuses da fotografia estavam do meu lado. Foi um daqueles momentos raros em que tudo se encaixa — ressaltou ele. Ao todo, Noble fez seis fotografias. Duas ficaram completamente escuras, uma desfocada, duas mostravam apenas agentes. Uma capturou o momento que se tornaria histórico. — Para cada foto dessas, a taxa de acerto é muito baixa. Quando olhei para trás da câmara, depois de um dia longo, tive de me beliscar — disse.