Presidente do Irã sobe o tom contra potências mundiais enquanto EUA aumenta pressão militar

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian Reprodução/Globo O presidente do Irã afirmou neste sábado (21) que não vai abaixar a cabeça para potências mundiais. A declaração reforça o tom mais duro em momento em que Washington aumenta a pressão militar no Oriente Médio. E manifestantes voltaram às ruas contra o governo dos aiatolás. Estudantes se manifestaram em universidades da capital Teerã. Houve confronto com agentes de segurança e apoiadores do governo. Foram os primeiros protestos desde a violenta repressão do regime no mês passado, que deixou cerca de 7 mil mortos, segundo organizações de direitos humanos. O começo do ano letivo marcou 40 dias das mortes. A onda de manifestações começou no fim do ano passado diante da profunda crise econômica no Irã. Os atos cresceram depois da violência da polícia. Os protestos chamaram a atenção de Donald Trump, que disse que poderia intervir se o regime continuasse matando manifestantes. Depois, o foco do presidente americano mudou e ele passou a exigir que o governo iraniano aceite um novo acordo sobre o programa nuclear. Nesta sexta-feira (20), Trump disse que está cogitando fazer um ataque pontual para pressionar por um acordo. No sábado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um discurso e disse que potências mundiais se alinham de forma covarde para forçar o Irã a baixar a cabeça. "Nós não nos curvaremos diante desses problemas", afirmou ele. Há semanas o governo americano vem intensificando a presença militar no Oriente Médio. A armada de Donald Trump já tem 13 destróieres e 1 porta-aviões na região. E mais equipamentos estão a caminho. Uma base aérea na Jordânia se tornou crucial para o planejamento de possíveis ataques contra o Irã. O jornal "New York Times" teve acesso a imagens de satélite dessa base. Elas mostram mais de 60 caças, quase o triplo do número de jatos que normalmente fica ali. E pelo menos 68 aviões de carga pousaram na base desde domingo (15), de acordo com dados de rastreamento de voos. Aviões militares americanos também foram vistos em uma base aérea no arquipélago português de Açores pela manhã. Segundo a rede de TV americana CBS, altos funcionários de Segurança Nacional informaram a Donald Trump que as Forças Armadas dos Estados Unidos estariam prontas para atacar o Irã já a partir deste sábado. Mas um funcionário da Casa Branca disse à agência de notícias Reuters que ainda não há "apoio unificado" ou consenso dentro do governo sobre a ofensiva. Para o ex-embaixador paquistanês e professor de estudos islâmicos da American University, Akbar Ahmed, existe o risco de que um ataque americano provoque reações de muitos países. "O Irã invocaria imediatamente sua aliança com a Rússia e a China. E talvez eles não interviessem diretamente, mas certamente apoiariam o Irã indiretamente. Isso complicaria muito a situação para os Estados Unidos. E se os Estados Unidos estiverem dispostos a enviar tropas para o Irã, a situação se tornará extremamente difícil. Muitas vidas serão perdidas", avalia o professor.