Após Trump anunciar tarifa de 15%, veja em mapa os países que serão mais ou menos taxados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no sábado que vai aumentar a tarifa global de 10%, anunciada um dia antes, para 15%, em reação à decisão da Suprema Corte dos EUA que considerou ilegal o mecanismo usado por ele para aplicar tarifas sobre produtos de parceiros no ano pssado. Em alguns casos, como o Brasil, a mudança traz alívio a setores que ainda eram taxados em 50%. Em outros, como Argentina e Reino Unido, a nova taxa representará uma elevação em relação ao que era cobrado antes. Veja o mapa: Em abril de 2025, Trump havia anunciado as chamadas tarifas recíprocas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Isso incluiu uma tarifa global de 10% sobre importações de parceiros e taxas adicionais a certos países. O que a Suprema Corte derrubou na sexta-feira foi justamente o uso dessa lei para embasar a aplicação das tarifas. Na mira: EUA mantêm investigação contra o Brasil mesmo após Suprema Corte declarar ilegalidade das tarifas A nova taxa anunciada por Trump no sábado tem como base outro marco jurídico, a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. O instrumento nunca foi acionado por um governante americano. Segundo Trump, ela entra em vigor imediatamente. No caso brasileiro, a sobretaxa total chegou a 50% (10% da tarifa universal imposta em 2025 mais 40% extra) para alguns produtos. Depois, um grupo de itens foi completamente isento, como carne e café. Não está claro se essas mercadorias que gozavam de isenção passarão a ser taxadas com a nova alíquota de 15%. Initial plugin text Mas os produtos brasileiros que não entraram na lista de isenções serão beneficiados com a substituição da tarifa anterior pela nova. De acordo com documento divulgado em novembro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 22% do que é exportado para os EUA ainda estavam sujeitos ao tarifaço de 50% no fim do ano passado. Há ainda produtos brasileiros que estão enquadrados em outra regra, como aõ e alumínio. Esses itens estão sujeitos à chamada seção 232, instrumento legal que autoriza o presidente dos Estados Unidos a impor tarifas e outras restrições sobre importações que possam ameaçar a segurança nacional. Eles representavam em novembro passado, 27% das exportações brasileiras para os americanos. Para estes, nada muda. Mais de mil ações: Empresas recorrem à Justiça para pedir reembolso de tarifas China e Índia estão entre outros países que serão beneficiados pela mudança tarifária. As tarifas americanas sobre produtos chineses chegaram a 145% no auge da tensão comercial entre as duas potências. Mas os dois países chegaram a um acordo que previa uma suspensão temporária das tarifas adicionais. Foi mantida uma taxa de 10% sobre produtos chineses relativa à acusação de Trump de que Pequim não se esforça para conter o tráfico de fentanil para os EUA. Além dela, havia a tarifa universal de 10% derrubada na sexta-feira, que totalizava 20%. Agora, serão 15%. No caso indiano, as tarifas chegaram a 50% para alguns itens, como no Brasil. Em fevereiro, um acordo previu que o governo Modi deixaria de comprar petróleo russo. Com isso, as taxas foram reduzidas para 18%. Mas elas foram invalidadas pela decisão da Suprema Corte. Agora, os produtos indianos serão submetidos apenas à nova alíquota de 15%. Há casos em que o nível tarifário será mantido, como na situação da União Europeia (UE) do Japão, o que não significa que as partes não buscarão renegociar acordos comerciais fechados no ano passado com os EUA. A UE convocou uma reunião de emergência para seguda-feira para debater a questão. Para os países que só eram submetidos à tarifa global anterior de 10%, como Argentina, a nova taxa representará um aumento na carga tribitária sobre os importados.