Entre as transformações que acompanham a menopausa, poucas são tão visíveis quanto as que acontecem na pele. Aos poucos, o que antes parecia equilibrado pode se tornar mais seco, sensível e menos firme. Produtos habituais já não oferecem o mesmo resultado, e a textura e o viço parecem mudar. Longe de ser apenas uma questão estética, esse processo reflete uma transição hormonal profunda, que altera o funcionamento da pele em diferentes níveis. Segundo a médica Isabel Martinez, o estrogênio (hormônio que diminui de forma significativa nessa fase) desempenha um papel central na manutenção da qualidade cutânea. “Ele participa diretamente da produção de colágeno, da retenção de água, da proteção da barreira cutânea e da microcirculação. Quando seus níveis caem, a pele perde parte da sua capacidade de se manter firme, hidratada e resiliente”, explica. Essa mudança acontece de forma mais acelerada do que pensamos. Estudos indicam que, nos primeiros cinco anos após o início da menopausa, pode haver uma redução de até 30% do colágeno total. Como consequência, a pele tende a se tornar mais fina, menos elástica e mais suscetível ao ressecamento e à flacidez. “Não se trata só do passar do tempo, mas de uma alteração fisiológica que modifica o comportamento da pele”, afirma Martinez. Além da queda hormonal, pesquisas recentes também destacam o impacto das chamadas células senescentes, que se acumulam com o tempo e liberam substâncias inflamatórias capazes de comprometer a qualidade da pele Freepik O ginecologista Marcelo Koji Ota, de São Paulo ressalta que esse processo varia de acordo com fatores individuais, como genética, etnia e estilo de vida. “Cada organismo responde de forma única às mudanças hormonais. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para avaliar as necessidades específicas e orientar os cuidados mais adequados”. Além da queda hormonal, pesquisas recentes também destacam o impacto das chamadas células senescentes, que se acumulam com o tempo e liberam substâncias inflamatórias capazes de comprometer a qualidade da pele. Ao mesmo tempo, o microbioma cutâneo, o conjunto de microrganismos que ajuda a proteger e equilibrar a superfície, também se altera, contribuindo para o aumento da sensibilidade e da desidratação. Na prática, essas transformações exigem uma abordagem mais cuidadosa e consistente. Ativos como retinoides, vitamina C, niacinamida e ácido hialurônico têm respaldo científico por sua capacidade de estimular o colágeno, fortalecer a barreira cutânea e melhorar a hidratação. Ainda assim, a escolha dos produtos e tratamentos deve respeitar o momento e a tolerância de cada pele. Para além dos cosméticos, o cuidado deve ser integrado. “O equilíbrio hormonal, associado a hábitos saudáveis, tem impacto direto na saúde da pele. Alimentação equilibrada, hidratação adequada, sono de qualidade e acompanhamento médico contribuem para preservar não apenas a aparência, mas o bem-estar como um todo”, afirma Ota.