Em uma faixa estratégica da Costa de Oro, às margens da Ruta Interbalnearia e entre o Fortín de Santa Rosa e o litoral, começa a ganhar forma um dos projetos urbanísticos mais ambiciosos já desenhados no Uruguai. Batizado de “El Águila”, o empreendimento prevê investimento de até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões, na cotação atual) ao longo de cerca de 20 anos e pretende criar uma nova centralidade na área metropolitana de Montevidéu. Cinco estrelas em terra e no mar: Forbes divulga hotéis, spas e cruzeiros mais luxuosos do mundo em 2026 Além das praias: Cinco destinos naturais fora do óbvio em Punta del Este A iniciativa é resultado de uma aliança entre a Kopel Sánchez — empresa de arquitetura liderada por Sebastián Sánchez e Fabián Kopel — e o Estudio Luis E. Lecueder. A primeira encabeça o desenvolvimento; o segundo aporta experiência sobretudo nos componentes comerciais e terciários. O capital, segundo a revista Forbes, é majoritariamente uruguaio: 95% dos recursos são de origem nacional. O projeto será implantado em um terreno de 238 hectares, dividido em duas partes: aproximadamente 90 hectares ao sul da Ruta Interbalnearia, em direção ao mar, e 148 hectares ao norte da rodovia, em um dos eixos viários de maior tráfego do país. A área já está inserida em uma mancha urbana consolidada. — Estamos falando de uma área com uma escala que hoje não existe dentro da área metropolitana: bem localizada, bem conectada e com uma superfície que permite pensar com muita liberdade — afirmou Sánchez em entrevista à Forbes Uruguay. Segundo ele, o diferencial é que não se trata de um território isolado à espera de moradores. — As pessoas já vivem em Atlântida, Villa Argentina, Salinas, Parque del Plata e outras localidades próximas. Uma parte importante se desloca diariamente para Montevidéu por trabalho. Cidade aberta e integrada Concebido sob o conceito de “cidade do futuro”, “El Águila” nasce com uma diretriz central: ser um desenvolvimento de usos mistos, reunindo moradia permanente, residências de veraneio, comércio, hotelaria, escritórios, centros de experiência, lazer e atividades ligadas à inovação em uma mesma malha urbana aberta. Ao contrário de grandes projetos fechados e rigidamente planejados, a proposta não parte de um programa definitivo de ocupação. A ideia é permitir ajustes ao longo do tempo, acompanhando transformações tecnológicas, sociais e laborais. — Antes, a incerteza era vista como algo negativo. Hoje, no mundo do desenvolvimento urbano, a incerteza se transformou em flexibilidade — disse Sánchez. E acrescentou: — O mundo muda em uma velocidade enorme. Há três anos quase não se falava de inteligência artificial; hoje ela muda tudo. Pretender definir agora como será um desenvolvimento daqui a dez anos não faz sentido. A ambição, segundo o executivo, vai além de um novo bairro ou de um polo empresarial. — O objetivo de El Águila é gerar cidade. Não é apenas um bairro, não é apenas uma área empresarial nem um empreendimento imobiliário pontual. É tudo isso junto. O desenho prevê integração plena com Atlântida e com o departamento de Canelones. Não será um condomínio fechado. Estão planejados passeios, espaços públicos e uma experiência comercial a céu aberto, em linha com tendências internacionais. O entorno natural — com desníveis, ravinas, áreas verdes e vista para o mar — deverá ser preservado e incorporado ao projeto com critérios de sustentabilidade. Investimento escalonado A compra da área custou entre US$ 20 milhões e US$ 26 milhões. Com a infraestrutura inicial, o desembolso na primeira etapa chega a cerca de US$ 50 milhões (cerca de R$ 258 milhões, na cotação atual). No horizonte mais amplo, o investimento em terras pode alcançar US$ 100 milhões, enquanto o desenvolvimento completo pode atingir até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) ao longo de duas décadas. A execução será gradual. — O projeto não é pensado de uma só vez. É progressivo. Vamos tomar decisões à medida que o contexto indicar — afirmou Sánchez. Ele ressaltou ainda que a Kopel Sánchez atua como desenvolvedora de construções — residenciais, comerciais, hoteleiras ou de serviços — e não como mera detentora de terrenos. Dada a escala, a intenção é que o empreendimento seja declarado projeto de interesse nacional. O processo envolve a Intendência de Canelones e ministérios ligados à Economia, Habitação, Meio Ambiente e Transporte. O licenciamento pode levar cerca de um ano e meio. Depois disso, a expectativa é que, em aproximadamente dois anos, tenham início a especialização das terras e os primeiros projetos imobiliários, seguidos pelas obras. Para os idealizadores, trata-se de um movimento estratégico de longo prazo, com potencial de geração de empregos e de atração de empresas. — É uma oportunidade para quem vive perto, para quem busca se mudar de Montevidéu e para as empresas que querem se instalar onde as pessoas estão. É um projeto pensado para o longo prazo, para acompanhar as mudanças na forma de viver, trabalhar e se relacionar — concluiu Sánchez.