Domenico Dolce e Stefano Gabbana fala sobre parceria com Madonna: 'Mulher capaz de me deixar intimidado'

Uma campanha icônica para um perfume icônico: a família de fragrâncias The One, de Dolce & Gabbana, comemora 20 anos este mês e celebra o feito em grande estilo. Além de novas versões assinadas pelos perfumistas Quentin Bisch e Jean-Christophe Hérault, traz no centro da publicidade ninguém menos que Madonna, símbolo de liberdade e ousadia para diversas gerações, a quem Stefano Gabbana e Domênico Dolce já dedicaram uma coleção inteira. Ao lado da popstar, está o ator mexicano Alberto Guerra, com quem Madonna, na ficção, vive um jogo de sedução ao som da tradicional canção italiana “La bambola”. Conversamos, por e-mail, com os designers sobre essa parceria longeva. Confira os melhores trechos: O relacionamento de vocês com Madonna já dura mais de 30 anos. Em que momento essa colaboração deixou de ser apenas estética para se tornar algo que define a identidade de vocês? Stefano Gabbana: Nossa relação com Madonna começou no fim dos anos 1980: ela já era uma estrela consagrada, e nós éramos dois jovens designers cheios de sonhos. Nunca vamos esquecer nosso primeiro encontro — um jantar em um restaurante italiano em Nova York, o Silvano. Desde o início, fomos unidos pela mesma energia, pelo desejo de quebrar regras e nos expressar sem concessões. A partir dali, nasceu uma colaboração profissional que, com o tempo, se transformou em uma verdadeira amizade; nossa relação vai muito além do que aparece na superfície. Ao longo de mais de 30 anos, vivemos experiências extraordinárias. Ela continua sendo a única mulher capaz de me deixar intimidado, porque é — e sempre será — o meu mito. Domenico Dolce: O primeiro momento realmente inesquecível? Quando um exemplar do International Herald Tribune caiu sobre a nossa mesa com uma foto dela em uma festa em Paris: Madonna vestia um look Dolce & Gabbana. Nunca vamos esquecer! Assim como a Dolce & Gabbana, Madonna sempre transitou entre o profano, o sagrado e a controvérsia. Madonna em vídeo de lançamento de novo perfume da grife Dolce & Gabbana Reprodução / Instagram / Dolce & Gabbana O que nela dialoga de forma tão profunda com a visão criativa de vocês? SG: Madonna é um símbolo de liberdade, ousadia e autenticidade. Conseguiu se reinventar sem jamais trair quem é. Isso ressoa com a nossa visão. DD: Ela não segue tendências; as cria. É mãe, artista, ícone, provocadora: uma mulher que transformou sua imagem em uma linguagem universal. Por isso, foi a escolha natural para The One: é realmente única, capaz de gerar emoção como ninguém. Em 2024, vocês dedicaram uma coleção inteira a Madonna. Por quê? O que essa homenagem diz sobre o momento atual da marca? SG: Foi um ato de amor e gratidão por uma mulher que marcou a nossa história criativa. Em um momento em que a marca vive uma fase de consolidação da identidade, homenageá-la significou celebrar nossos valores. Madonna retorna como rosto da Dolce & Gabbana na nova campanha de The One, ao lado de Alberto Guerra. O que os dois representam para essa fragrância: sensualidade, poder, liberdade? DD: Para a Dolce & Gabbana, ser The One significa ser audacioso e autêntico. Madonna sempre encarnou esses valores. O filme publicitário tem um impacto forte: é sensual, cinematográfico, construído sobre um jogo de desejos e contrastes poderosos. A estética remete ao cinema italiano, mas Madonna a reinventa, tornando-a contemporânea. SG: Madonna e Alberto têm personalidades intensas, capazes de preencher a cena com sua energia. A química entre eles surgiu imediatamente. “La Bambola”, uma canção italiana, ganha versão inédita interpretada por Madonna. Como foi o processo? E por que essa música faz sentido no universo Dolce & Gabbana de hoje? SG: Madonna nos contou que ama essa música. Foi a escolha perfeita: um hino à emancipação feminina. Ela canta em italiano pela primeira vez e o faz exclusivamente para esse projeto — não poderíamos receber um presente mais bonito. Quais memórias olfativas marcaram a infância e a juventude de vocês? Vale tudo — do cheiro da comida na Sicília ao perfume do primeiro amor… DD: Como esquecer o aroma dos pratos que minha avó preparava para o almoço de domingo? A casa inteira se enchia com o cheiro de anelletti assados, berinjela à parmegiana… E depois vinha o perfume das flores de laranjeira, dos limoeiros, dos arranjos florais de procissões religiosas, das colônias que os homens usavam nas noites de verão na praça da cidade… SG: No meu coração, sempre haverá o perfume da minha mãe: uma fragrância delicada que ela reservava para ocasiões especiais.