'Vietnã: A guerra que mudou os EUA' é série documental imperdível

A Guerra do Vietnã terminou há 50 anos, mas o trauma ainda é uma ferida aberta para mais de uma geração. A divisão profunda dos EUA naquela época — entre pacifistas e gente favorável ao conflito — faz pensar nas divergências ideológicas que estão incendiando o país hoje. Por essas e outras razões, “A guerra que mudou o Mundo”, série documental da AppleTV é mais do que oportuna. São seis episódios narrados por Ethan Hawke. Recomendo. Clica aqui e vem me seguir no Instagram Não espere apenas um painel retilíneo do conflito. A produção vai além dos aspectos militares. Ela se interessa pelo lado humano. O diretor, Rob Coldstream, e sua equipe de pesquisadores não se contentaram em recuperar imagens gerais esquecidas nos arquivos. Eles vasculharam filmagens antigas de diversas fontes — registros militares, cinejornais, gravações amadoras —, identificaram rostos, uniformes e detalhes que pudessem levar a nomes e paradeiros. Seguiram pistas através de documentos, associações de veteranos, comunidades de refugiados vietnamitas espalhadas pelo planeta etc. Vietnã: A guerra que mudou os EUA Divulgação O trabalho de investigação levou anos, rastreando soldados, civis, enfermeiras e sobreviventes de ambos os lados, muitos deles levando vidas anônimas. A série conecta os rostos jovens filmados em meio àquele caos com as pessoas que esses personagens se tornaram décadas depois. Ela mostra homens e mulheres que haviam guardado aquelas memórias trancadas por 50 anos se vendo na tela. O momento do reencontro dessas pessoas com suas próprias imagens de juventude é parte essencial da narrativa. Mais do que um registro documental cuidadoso, a produção é uma ponte concreta entre o passado e o presente. É também uma cápsula do tempo que revela como aquele conflito moldou mentalidades e destinos. Entre os ótimos personagens que a série reA ex-enfermeira do Exército Americano Joan Furey. Ela foi para a guerra como voluntária. Tempos depois, se juntou aos movimentos pacifistas Appletv São muitos casos impactantes. Há um soldado que fazia sua última ronda em Saigon quando vietcongues invadiram a embaixada dos EUA. Convocado, ele acabou tendo um papel fundamental na defesa do local, tornando-se um herói involuntário. Os produtores o encontraram levando uma vida tranquila. Sua reação ao assistir às imagens daquele dia, no entanto, entrega como aquela experiência nunca o abandonou. Outro testemunho devastador é do filho de um oficial do exército do Vietnã do Sul. Vietcongues invadiram sua casa e massacraram toda sua família. Um dos responsáveis foi capturado logo depois e executado com um tiro na cabeça em plena via pública — a foto daquele momento se tornou um dos ícones mais perturbadores da guerra. O menino foi levado para os EUA por tios e construiu uma nova vida. Esses são só alguns exemplos de como as guerras não terminam com os tratados de paz. Elas continuam reverberando nas vidas que marcaram. A série faz um retrato profundo de uma época que redefiniu a geopolítica, a cultura e a consciência social de ambos os países no século XX. Tudo isso sem simplificar ou romantizar, e com um compromisso com as pessoas reais por trás dos acontecimentos históricos. PS: Você também pode gostar dessa crítica aqui