Com os pés no passado e de olho no futuro: Festa Ploc terá versão anos 2000 e outras novidades

No próximo sábado (28), o Qualistage vai atravessar um túnel do tempo, na comemoração dos 21 anos da Festa Ploc. Com foco nos anos 1980, o show em clima de festival terá seis horas de duração e quase duas dezenas de artistas. Será o primeiro evento da tradicional turnê anual, mas 2026 será diferente. Criador do evento, Luciano Vianna conta que está prestes a investir também em outros formatos: lançará a festa Ploc 2000, com sucessos da década; a Ploc Sinfônica, versão com orquestra; e a turnê da Ploc 360, em que os artistas se apresentam num palco no meio do público. Além disso, ele escreve o roteiro de um documentário sobre a Ploc. — Penso que, se eu não fizer, outro faz. Como a marca é grande e nacional, quero estar sempre diversificando. Acho que é o segredo para ela durar tanto, além de estarmos sempre ouvindo o público — avalia. Restaurante de Filipe Toledo: Surfista abre unidade do Let's Poke no Leblon Drones, robôs e IA para identificar suspeitos: Conheça as estratégias de segurança dos novos condomínios de alto padrão Luciano Vianna, criador da Festa Ploc Ana Branco/Agência O Globo A Ploc já teve edições em todos os estados do país e também cruzou fronteiras. Este ano, a lista de apresentações no exterior pode aumentar. Vianna conta que negocia levá-la para cidades dos Estados Unidos onde a seleção brasileira de futebol jogará a Copa do Mundo, podendo figurar como uma das atrações da Casa Brasil da Fifa. Tem mais. Para 2027, uma ideia é retomar o projeto o Ploc in Rio, realizado em 2018, no Estádio Nilton Santos, com artistas habitués do evento se apresentando ao longo de quatro dias. Se nas festas tradicionais, como a do Qualistage, a Banda Ploc comanda todo o show, acompanhando as atrações que se sucedem, no Engenhão, os artistas apresentam seus próprios shows completos em um palco montado atrás de uma das balizas, enquanto o público assiste da pista de atletismo e da arquibancada. Veja vídeo: Desabafo de Diogo Nogueira após atraso de mais de uma hora em bloco em Copacabana provoca reação nas redes Alguns dos novos formatos são pensados para atingir outros nichos de mercado, como a Ploc 2000, que voltará 20 anos no tempo, assim como fez a Ploc original quando nasceu, entre 2004 e 2005. Outros abraçam tendências atuais, diz o produtor. — Este palco 360°, como é na Tardezinha (evento do cantor Thiaguinho), vai ser uma tendência nos próximos anos. Soube que a Xuxa vai montar um show assim também. A Ploc 360 foi criada para ginásios e cidades do interior, para deixar o público mais perto do artista, e fizemos uma edição no ano passado na Fundição Progresso, para experimentar — explica Vianna, que planeja levar o modelo à Arena Jockey, em novembro, e a uma turnê pelo Sul do país. Entre as novidades, o documentário é a que deve demorar mais para chegar ao público. Depois do roteiro pronto, o projeto será inscrito em leis de incentivo à cultura. Uma vez concluída, a ideia é fazer a produção circular em festivais nacionais e internacionais. — Será um documentário de entrevistas, para os artistas contarem suas histórias, com o mote da festa. Quero que seja uma grande lembrança dos anos 1980. É uma época que não pode morrer, e diversos artistas já estão morrendo, literalmente — avalia. — É um período muito rico e pouco documentado. As imagens infelizmente são ruins. Raízes pela metade: Laudo aponta corte indevido em árvores próximo a canteiro de obras em condomínio na Barra Nostalgia no palco e nos bastidores Vianna tem ainda muitos outros projetos, como retomar alguns subprodutos da Ploc fora do palco. Entre eles, a hamburgueria Ploc Burguer, que teve unidade em Botafogo, e a loja Retrô Shop, que funcionou no Aerotown. Outro é o Bloco Ploc, que teve a primeira edição em 2012 e a última em 2020. O produtor diz que negocia com diferentes prefeituras a volta do cortejo, que espera ver na rua já no próximo carnaval. No momento, o foco está no show do próximo sábado, com um time composto por atrações já velhas conhecidas do público da Ploc: Paquitas (Catuxita e Xiquitita), Trem da Alegria (Luciano Nassyn + Juninho Bill), Banda Ploc, Zé Henrique (Yahoo), Alex Gil (Polegar), Guilherme Isnard (Zero), Vinícius Cantuária, Felipe Dylon, Marcelo Hayena (Uns e Outros), Rodrigo Saldanha (Abelhudos), Avellar Love (João Penca e Seus Miquinhos Amestrados), Dr. Silvana & Cia. , Eu Convidado (Fábio Queiroz canta Lobão), Mais do Mesmo (Legião Urbana Cover), Daniel Del Sarto (musical “Anos 80 – Uma experiência Ploc”) e Síndico Du Ben, além do DJ DOM LV e atrações surpresa. As Paquitas são uma das atrações da Festa Ploc Divulgação/Festa Ploc/Carla Cardozo A Barra, onde a Ploc tem iniciado as turnês, nos últimos anos, é o bairro ideal para a festa, diz o produtor: — Tirando a rua onde era a Nuth, os bares de música ao vivo e as boates da região são de flashback. Não temos como ignorar. A região de Barra e Jacarepaguá é o lugar do Rio de Janeiro que considero que mais tem amantes dos anos 1980 e 1990. 'Tive medo de que achassem que eu é que estava assaltando': Motociclistas tiram celular das mãos de ladrão e devolvem para vítima na Barra; vídeo Morador do Jardim Oceânico, ele se inclui neste grupo. Foi no seu condomínio, ao lado do vizinho Daniel Del Sarto, que ele começou a criar um musical sobre a Ploc. Os dois assinam roteiro e direção da peça, que estreou em 2021 e ainda faz apresentações. No Qualistage, Del Sarto mostrará uma versão bem reduzida do espetáculo, com números em que interpreta Wando, Sidney Magal e o Carimbador Maluco de Raul Seixas (aquele do “Plunct plact zum”). Promete ainda uma canção de Lulu Santos e outra autoral. O artista, de 51 anos, que viveu parte da infância e da adolescência nos anos 1980, diz por que, na sua opinião, aqueles anos eram tão arrebatadores: — Estávamos na curva de troca do analógico para o digital. Existia uma verdade palpitante, ninguém estava tentando ser nada ou emular algo. Essa coisa de todo mundo ter um Instagram faz todos serem protagonistas. Sem querer, acabam se inspirando e usando referências. A Madonna, o Michael Jackson e o Billy Idol eram o que eles eram. O exagero era permitido, porque estava dentro de cada um, era autêntico. O ator e cantor Daniel Del Sarto, no Qualistage Ana Branco/Agência O Globo Nos bastidores da Ploc, os artistas dividem vários camarins — oito, no caso do Qualistage. Mas Vianna diz que todos acabam se reunindo num mesmo espaço, conversando e recordando histórias. Um dos veteranos da turma, Cícero Pestana, da banda Dr. Silvana & Cia, avalia que isso é mais uma marca dos anos 1980: — Tínhamos muita confraternização nos grandes programas de televisão, como os de Chacrinha, Silvio Santos, Gugu e Raul Gil. Os camarins eram onde nos encontrávamos, trocávamos ideias, falávamos sobre shows, fazíamos até músicas. Nos divertíamos muito, ficávamos amigos. Cícero Pestana, da banda Dr. Silvana & Cia, na Festa Ploc Divulgação/Carla Cardozo Initial plugin text