Exclusividade. O Mar Delfim Moreira, na orla do Leblon terá apenas sete unidades BALASSIANO ENGENHARIA/DIVULGAÇÃO Ainda embalado pelo sucesso dos imóveis compactos, que vêm dominando lançamentos e estratégias das incorporadoras nos últimos anos, o mercado carioca começa a observar um momento singular no segmento de alto padrão: a busca de compradores por plantas generosas. Eles estão dispostos a pagar mais por metragens que traduzam qualidade de vida, conforto real e espaço para reunir toda a família. A escassez deste tipo de produto explica pelo menos parte dessa demanda. Na orla da Zona Sul, endereços nobres com planta espaçosa, varanda, vista para um cartão-postal e pé-direito alto tornaram-se uma raridade que o mercado demorou a repor. As incorporadoras que apostaram na metragem enxuta agora olham para o outro lado do tabuleiro e percebem que o cliente desse nicho não encontra o que procura — e é nessa lacuna que elas buscaram posicionar os novos empreendimentos de luxo. Quem traduz com precisão esse movimento é a Gafisa, que se prepara para lançar em um terreno nobre na quadríssima da praia, entre Ipanema e Leblon, um projeto de apenas oito residências, com plantas a partir de 414 metros quadrados e localização privilegiada, que resume o que o segmento mais valoriza. Cada unidade terá área social de mais de 100 metros quadrados, suíte-master e quatro vagas de garagem. — Em um endereço com vista para o mar e a lagoa, desenvolvemos um produto para quem não quer mais fazer concessões. Sem pilares nas áreas sociais, com pé-direito alto e boca de sala de mais de 13 metros, o projeto tem dimensões que praticamente não existem mais no mercado imobiliário do Rio — pontua o vice-presidente da empresa, Frederico Kessler. A Balassiano Engenharia trilha caminho semelhante em Ipanema e no Leblon, com uma estratégia que inclui a possibilidade de junção de unidades — recurso que permite ao comprador dobrar o espaço quando a planta já generosa ainda não for suficiente. Gabriel Pecly, gerente de Novos Negócios da empresa, observa que, nos quatro lançamentos recentes com plantas maiores, houve demanda pela junção — Mar Delfim Moreira, Almar, Vista Ipanema e 786 Prudente. — O próximo será na Avenida Vieira Souto, com apartamentos a partir de 410 metros quadrados assinados pelo escritório Bernardes Arquitetura. Vai ser um empreendimento icônico, daqueles que geram demanda e viram referência na cidade — aposta Pecly. Na Barra da Tijuca, o Grupo Patrimar investe na parceria inédita com a marca italiana Armani para erguer um empreendimento na região do Campo Olímpico de Golfe. A incorporadora já tem outros projetos na região, como o Oceana Golf, com coberturas lineares que chegam a547 metros quadrados. — O público que busca os empreendimentos da região é, em sua maioria, morador da própria Barra da Tijuca, com mais de 35 anos, que exige estrutura de hotel cinco estrelas e segurança de condomínio fechado. Os outros são principalmente investidores estrangeiros e de outros estados do país, atraídos pelo potencial de valorização e pela projeção internacional desses ativos — conta o diretor executivo Comercial e de Marketing do grupo, Lucas Couto. EXPATRIADOS A lógica do investimento estrangeiro em apartamentos maiores também tem sua própria aritmética, como explica Frederic Cockenpot, CEO da Where in Rio, plataforma especializada no mercado imobiliário carioca para não residentes. — Apartamentos maiores têm um público certo: o de executivos expatriados que buscam moradia de médio prazo. Assim, o comprador rentabiliza melhor seu investimento — resume. Mais do que metragem, o que está em jogo é a reconfiguração do luxo residencial carioca. Em um cenário de oferta limitada de terrenos e de prédios antigos na orla, os projetos que combinam localização emblemática, escala generosa e soluções construtivas contemporâneas tendem a se tornar peças raras — e cada vez mais disputadas.