Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 chegaram ao fim marcando a participação mais relevante do Brasil na história da competição. Com uma medalha de ouro inédita e uma série de resultados expressivos, o país encerrou a edição na 19ª colocação do quadro geral e deixou a Itália com a sensação de que o esporte de inverno nacional vive um novo momento. O ponto mais alto da campanha veio no slalom gigante, uma das provas mais tradicionais e técnicas do esqui alpino. Disputada em duas descidas, a competição exige equilíbrio entre velocidade e precisão em curvas amplas distribuídas ao longo de um traçado exigente. Lucas Pinheiro Braathen manteve regularidade nas duas passagens, evitou erros nas transições e administrou a vantagem nos trechos decisivos. Com o tempo combinado de 2min25s, garantiu o ouro ao terminar 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, enquanto Loic Meillard completou o pódio. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o esquiador passou a representar o Brasil recentemente e transformou sua escolha em um feito histórico ao colocar o país no topo do pódio pela primeira vez em Jogos de Inverno. Mas a campanha brasileira não se resumiu ao ouro. No gelo, Nicole Silveira alcançou a 11ª colocação no skeleton, o melhor resultado de um brasileiro em provas disputadas no gelo em Jogos Olímpicos de Inverno, consolidando sua evolução em relação às edições anteriores. O bobsled também entrou para a história. No 4-man, o quarteto liderado por Edson Bindilatti, ao lado de Rafael Souza, Luis Bacca e Davidson de Souza, terminou na 19ª posição, o melhor resultado do país na prova. Após garantir vaga entre os 20 melhores trenós, a equipe completou as quatro descidas no Centro de Esportes de Trenó, em Cortina d’Ampezzo, superando o desempenho obtido em Pequim 2022. No 2-man, Bindilatti e Luis Bacca também registraram avanço. No segundo e decisivo dia, a dupla marcou 56s22 na terceira descida e fechou as três baterias com 2min49s98, encerrando a disputa na 24ª colocação geral, o melhor resultado da história do Brasil no trenó de dois. Na neve, o país ainda ampliou sua presença. No snowboard halfpipe, Pat Burgener e Augustinho Teixeira ficaram entre os 20 melhores. No esqui cross-country, Manex Silva obteve o melhor desempenho brasileiro da modalidade em Jogos, enquanto Eduarda Ribera disputou mais uma edição olímpica.