As despesas do governo federal com benefícios sociais registraram um crescimento real de quase 500% desde 2004, atingindo a marca de R$ 383 bilhões anuais sob Lula. O levantamento, realizado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado a pedido do jornal O Globo, revela que o salto nos gastos com programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) desafia a sustentabilidade das regras fiscais. Diante do cenário, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, passou a defender publicamente uma reformulação ampla da rede de proteção social brasileira. + Leia mais notícias de Economia em Oeste A intenção da equipe econômica é estruturar uma proposta de unificação dos auxílios para integrar a plataforma de uma eventual campanha de reeleição em 2026. A ideia central reside na migração para um conceito de "renda básica", o que eliminaria as ineficiências de gerenciar múltiplos programas isolados. Haddad sustenta que a reorganização do Estado permitiria um controle maior sobre o orçamento sem representar o corte de direitos, uma linha vermelha já estabelecida pelo Palácio do Planalto. Ineficiência e descontrole no BPC Um dos pontos de maior preocupação para a Fazenda é o descontrole no acesso ao BPC, que paga um salário mínimo a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O crescimento acelerado deste benefício específico gera pontos de sombreamento com outras políticas, dificultando o planejamento fiscal de longo prazo. Haddad sugeriu, em eventos recentes do setor financeiro e do PT, que a gestão individualizada de cada auxílio gera um custo administrativo elevado e desnecessário. https://www.youtube.com/watch?v=bXTVcUHqmTM A proposta de redesenho institucional também mira os desafios futuros do mercado de trabalho, incluindo o impacto da inteligência artificial na ocupação da mão de obra. No entanto, o Ministério da Fazenda condiciona a viabilidade da reforma à "neutralidade fiscal". Isso significa que a nova estrutura só sairá do papel se os ganhos de eficiência garantirem uma trajetória de gastos mais contida, sem exigir novos aumentos de impostos ou endividamento público. O entrave político no Governo Lula Apesar do entusiasmo da equipe econômica, as ideias de ajuste nos benefícios sociais enfrentam resistência dentro do próprio governo. Em 2024, propostas de contenção de despesas travaram nas discussões com o núcleo político do Planalto ou em negociações no Congresso Nacional. A estratégia de Haddad agora consiste em amadurecer o desenho técnico para apresentá-lo como uma modernização da rede de proteção social, evitando o rótulo de "ajuste fiscal" sobre os mais pobres. A discussão ainda está em estágio inicial e não chegou formalmente às instâncias superiores de decisão. Contudo, as declarações do ministro sinalizam que o governo reconhece a impossibilidade de manter o atual ritmo de crescimento das transferências de renda sem uma mudança estrutural. O desafio de Lula será equilibrar a promessa de manutenção da assistência com a realidade de um orçamento que se torna cada vez mais rígido e dependente de revisões profundas. Leia também: "Brasil firma acordo com a Índia sobre minerais críticos e terras raras" O post Governo Lula vê explosão de 500% em benefícios sociais e admite ‘nó fiscal’ apareceu primeiro em Revista Oeste .