O chefe de comércio do Parlamento Europeu irá propor o congelamento do processo de ratificação do acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos até que recebam detalhes do governo do presidente Donald Trump sobre sua política comercial. Após Trump anunciar tarifa de 15%: Veja em mapa os países que serão mais ou menos taxados Repercussão: Líderes globais reagem com cautela e estudam retaliações a novas tarifas de Trump Bernd Lange, presidente da comissão de comércio do Parlamento, afirmou que proporá suspender o trabalho legislativo para aprovar o chamado Acordo de Turnberry em uma reunião de emergência nesta segunda-feira “até que tenhamos uma avaliação jurídica abrangente e compromissos claros por parte dos EUA”. “Puro caos alfandegário por parte do governo dos EUA”, escreveu Lange nas redes sociais neste domingo. “Ninguém mais consegue entender – apenas perguntas sem resposta e crescente incerteza para a UE e outros parceiros comerciais dos EUA.” A reviravolta no Parlamento ocorre depois que a Suprema Corte dos EUA, na sexta-feira, derrubou o uso, por Trump, de uma lei de poderes de emergência para impor suas chamadas tarifas recíprocas ao redor do mundo. A comissão parlamentar já havia congelado o processo de aprovação anteriormente, após Trump ameaçar anexar a Groenlândia. Initial plugin text O acordo firmado no verão passado entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, imporia uma tarifa de 15% sobre a maioria das exportações da UE para os EUA, ao mesmo tempo em que eliminaria tarifas sobre produtos americanos destinados ao bloco. Os EUA também continuariam a impor uma tarifa de 50% sobre as importações europeias de aço e alumínio. Na mira: EUA mantêm investigação contra o Brasil mesmo após Suprema Corte declarar ilegalidade das tarifas O bloco concordou com o acordo desequilibrado na esperança de evitar uma guerra comercial em larga escala com Washington e manter o apoio de segurança dos EUA, particularmente no que diz respeito à Ucrânia. O Parlamento pretendia ratificar o acordo agora em março. Após a decisão da Suprema Corte na sexta-feira, Trump afirmou que instituiria uma tarifa global de 10% para manter medidas comerciais protecionistas sobre o restante do mundo. No sábado, disse que elevaria essa taxa para 15%, provocando mais turbulência econômica e incerteza quanto à política dos EUA. Vantagem: Xi terá mais poder de barganha para negociar com Trump em cúpula de abril, após decisão da Suprema Corte O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, afirmou que estão analisando se o acordo comercial UE-EUA “ainda é válido”. — Pode-se ter dúvidas quanto a isso — disse Barrot durante entrevista à France Inter no domingo. — E tomaremos as medidas necessárias em resposta. As novas tarifas de Trump serão baseadas na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por 150 dias sem aprovação do Congresso. Na Índia: Lula se diz confiante em acordo com EUA após nova taxação de Trump Em comunicado no domingo, a Comissão afirmou que precisa de “total clareza” sobre quais medidas os EUA agora pretendem adotar. “Um acordo é um acordo. Como maior parceiro comercial dos Estados Unidos, a UE espera que os EUA honrem seus compromissos estabelecidos na Declaração Conjunta — assim como a UE cumpre seus compromissos”, afirmou a Comissão. Avaliação de especialistas: Derrubada de tarifas trará caos no início, mas mostra que há limites para Trump “Em particular, os produtos da UE devem continuar a se beneficiar do tratamento mais competitivo, sem aumentos de tarifas além do teto claro e abrangente previamente acordado.” O comissário de Comércio da UE, Maroš Šefčovič, conversou no sábado com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, segundo o comunicado.