Desfile das Campeãs é marcado por despedidas, críticas às notas e movimentos já de olho no carnaval do ano que vem

No Desfile das Campeãs, a festa pelo título da Viradouro veio acompanhada de recados na avenida: críticas às notas, pedidos de respeito, despedidas anunciadas e movimentos já mirando o carnaval de 2027. Em meio às mensagens, Mestre Ciça, consagrado pelo campeonato, estimou em 80% as chances de seguir à frente da bateria. Fakezinho indiscreto: Tia Surica não vai assumir a velha guarda da União de Maricá Estandarte de Ouro 2026: premiação terá roda de samba-enredo; ingressos continuam à venda — Quem sabe mais um ano? Tenho 80% de certeza que estarei de volta. Isso aqui é que nem cachaça - brincava Ciça na concentração. — O povo do samba está feliz e fez com que a Viradouro ganhasse esse carnaval. O legado que eu deixo é de trabalho, de respeito às pessoas. Ver esse grupo aqui, de tantas gerações que passaram pela minha mão, é viver um momento único. A chuva forte que caiu no Rio no fim da tarde deste sábado alagou o entorno do Sambódromo e as beiradas da pista de desfiles, que apresentavam água acumulada quando aconteceu o show de abertura do Desfile das Campeãs – em que puxadores do Grupo Especial receberam cantores como João Gomes e Michel Teló – e a apresentação da Mangueira, sexta colocada no Carnaval de 2026 e primeira a desfilar nas Campeãs. Homenageado: Mestre Ciça é exaltado por pupilos e especialistas após título da Viradouro Ciça celebrou vitória da Viradouro, da qual foi enredo Marco Terranova/Riotur No discurso da concentração, o puxador Dowglas Diniz elogiou os mestres de bateria, Rodrigo Explosão e Taranta Neto, dizendo que “nada é fácil para vocês”, e pediu aplausos para a dupla Cintya e Matheus, porta-bandeira e mestre-sala, por representar a “dança ancestral”. As duas referências foram queixas contra as notas recebidas nos dois quesitos, que não foram 10 de ponta a ponta. A escola começou a desfilar poucos minutos depois das 22h – o que prenunciava um desfile até dia claro no domingo –, sob chuva fraca. Cintya (que recebeu o Estandarte de Ouro de porta-bandeira) e Dowglas dançaram com garra, na frente de uma faixa que pedia “respeito com a dança ancestral do casal Furacão”. Carnaval 2027: Zé Paulo segue como voz oficial na Maricá A partir da Imperatriz Leopoldinense, a chuva parou e o clima de festa imperou, com ligeiras insinuações sobre o resultado e o carnaval de 2027. O casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola de Ramos, Phelipe Lemos e Rafaela Teodoro, se despediu da escola. A Rádio Tamborim diz que os dois estarão na estreante União de Maricá no próximo ano, assim como o carnavalesco Leandro Vieira, que acumulou as duas escolas em 2026 e terá que optar por uma. O Salgueiro, também em clima festivo, agradeceu à Liga Independente das Escolas de Samba – em 2025, a alvirrubra da Tijuca reclamou ao ficar na sétima colocação; optou pelas pazes e acabou em quarto: todos felizes. Dança das cadeiras: Bruno Ribas é o novo intérprete da Portela Vice-campeã Beija-Flor, durante Desfile das Campeãs Tata Barreto/Riotur A segunda metade da noite começou com a Unidos de Vila Isabel, que brincou muito mais na pista do que no desfile oficial. O peso das fantasias dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Hadad gerou muitas críticas dos desfilantes, que passaram, em muitos casos, sem chapéus e outros componentes, brincando carnaval. A Beija-Flor, vice-campeã, começou agradecendo e dando os parabéns à coirmã Viradouro, mas também mostrou uma leve insatisfação pela derrota (por um décimo) e saudou o patrono Aniz Abraão David como “o maior sambista do Brasil”. A escola passou com a garra de sempre e alguns componentes com faixas de vice-campeões. Os dois puxadores, Nino e Jéssica (ela, vencedora do Estandarte de Ouro de Revelação) foram bem ouvidos no sistema de som, o que não aconteceu no desfile oficial. Famosos: Camarote Quem O GLOBO encerra o carnaval em clima de festa no Desfile das Campeãs O dia clareava quando o puxador Wander Pires e seu topete vermelho cantaram sambas campeões da Viradouro, no aquecimento para o desfile consagrador (de novo!), que terminou com o tradicional arrastão por volta das 7h de domingo, depois de mais uma forte dose de emoção. A luz do dia valorizou ainda mais as alegorias e fantasias do carnavalesco Tarcísio Zanon. — É a primeira vez que eu componho o samba para uma escola e sou campeão – dizia o humorista Marcelo Adnet, um dos autores do samba. — Para mim, é uma das maiores maravilhas do mundo. Com cinco anos eu me encantei pelo carnaval e hoje, aos 44, sou campeão do carnaval. Foi um ano maravilhoso: compus para Viradouro, Unidos da Tijuca, Botafogo Samba Clube e União de Maricá, que subiu. Embratur: Rio foi o destino de 36% dos 300 mil turistas estrangeiros que desembarcaram no país para o Carnaval A musa Juliana Paes, que voltou à escola a convite de Ciça, também comemorava: — É uma emoção diferente, de agradecer e retribuir todo o amor que a gente recebeu. Quando a gente entrou nessa avenida, a gente só tinha uma certeza: de que a gente amava muito o Ciça. Hoje, temos duas: gente ama muito, mas o público e a Sapucaí também amam. Hoje, não sou rainha de bateria, eu sou uma súdita — disse ela, garantindo que ficará na escola, “de algum jeitinho”.