Saiba quem foi 'El Mencho', ex-policial que fundou cartel mais violento do México e morreu em operação militar

A confirmação da morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o "El Mencho", encerra uma das buscas mais longas da história do narcotráfico. Líder absoluto do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), ele transformou uma célula regional na organização criminosa mais violenta do México. Segundo a agência antidrogas dos EUA (DEA), Mencho era o fugitivo número um da lista internacional, com uma recompensa recorde de US$ 10 milhões por informações que levassem ao seu paradeiro. Mar-a-Lago: conheça resort de luxo de Donald Trump onde suposto invasor foi morto, na Flórida; fotos Caso Epstein: Hillary Clinton, que depõe esta semana no Congresso, nega que marido tenha 'conexões' com criminoso sexual A trajetória de Mencho é marcada por idas e vindas entre a legalidade e o crime. De acordo com o portal de investigação InSight Crime, especializado em segurança nas Américas, Nemesio cresceu em uma família pobre de produtores de abacate em Michoacán e imigrou ilegalmente para os EUA nos anos 80. Em 1992, conforme registros do Departamento de Justiça dos EUA, ele foi condenado em Sacramento por tráfico de heroína e, após cumprir pena, acabou deportado para o México. Ao retornar ao seu país natal, ele seguiu um caminho irônico. Segundo relatórios do Departamento do Tesouro dos EUA, El Mencho trabalhou como policial municipal na cidade de Cabo Corrientes, em Jalisco. No entanto, o cargo era uma fachada: ele já atuava como braço armado do Cartel de Milênio. De acordo com analistas de segurança do jornal El Universal, essa experiência dentro da polícia deu a ele o conhecimento tático necessário para, anos depois, fundar sua própria organização paramilitar. A fundação do CJNG, em 2010, alterou o equilíbrio de poder no narcotráfico. Segundo a agência de notícias Reuters, o grupo de Mencho foi o primeiro a utilizar armamento de guerra contra o Estado de forma sistemática. Em 2015, os sicários do cartel abateram um helicóptero do Exército com um lançador de granadas RPG. De acordo com o Ministério da Defesa do México (SEDENA) na época, o ataque foi um divisor de águas, forçando o governo a elevar o status do CJNG para "ameaça à segurança nacional". Diferente de outros chefões, Mencho era recluso. Ele focou na produção de drogas sintéticas, tornando-se o "rei do fentanil". Segundo o jornal The New York Times, o CJNG foi o grande responsável por inundar os EUA com o opioide sintético que causou uma crise de saúde pública sem precedentes. Nos últimos anos, porém, sua maior ameaça não era a polícia, mas sua própria saúde. De acordo com reportagens investigativas do portal Infobae, El Mencho sofria de uma insuficiência renal crônica tão grave que teria construído seu próprio hospital clandestino na selva de Jalisco para realizar diálise sem ser detectado.