Peça premiada, 'Emaranhada' chega a Belém falando de autoestima das crianças pretas

Criado e interpretado por Amarilis Irani, o espetáculo acompanha Mavi, uma menina que descobre nos próprios cabelos um território de imaginação, força e ancestralidade. Divulgação A urgência de falar sobre empoderamento e autoestima, especialmente para crianças negras, foi o ponto de partida de Emaranhada: Trançando o Norte e Nordeste, espetáculo que faz temporada inédita em Belém. Reconhecida como um dos destaques recentes do teatro infantil brasileiro, a peça aposta na delicadeza, na música e no humor para abordar identidade desde a infância. Os ingressos estão disponíveis ao público a partir desta segunda-feira (23). Criado e interpretado por Amarilis Irani, o espetáculo acompanha Mavi, uma menina que descobre nos próprios cabelos um território de imaginação, força e ancestralidade. Em cena, os fios crespos deixam de ser apenas característica física e se tornam linguagem dramatúrgica, conduzindo a narrativa e abrindo espaço para refletir sobre pertencimento e aceitação. Desde a estreia, em 2022, Emaranhada percorreu mais de 30 cidades em 10 estados brasileiros. A montagem venceu o Prêmio “Pecinha É a Vovozinha” de Melhor Cenário, recebeu indicação de Melhor Atriz e foi reconhecida como Destaque no Teatro Infantil de São Paulo. Em 2024, também foi indicada ao Prêmio CBTIJ, uma das principais premiações do teatro infantil no país. Em entrevista exclusiva ao g1, Amarilis fala sobre o processo criativo, a relação com o público infantil e o significado de apresentar a obra pela primeira vez na região Norte, com seis sessões entre os dias 3 e 8 de março, na CAIXA Cultural. Confira: Emaranhada é um espetáculo infantil e também um monólogo. Como foi a decisão de construir uma obra solo pensada para crianças e o que isso muda na relação direta com o público? "A princípio, eu não queria estar sozinha em cena. Mas havia uma urgência: criar um trabalho autoral, ser dona da minha própria narrativa. Emaranhada nasceu assim, de forma independente, literalmente do bolso, e depois ganhou fôlego com os editais. A urgência de falar sobre empoderamento e autoestima, especialmente para crianças negras, foi decisiva. E, no fim, eu não estou só: meus cabelos são parceiros de cena, estão vivos comigo. Isso cria uma relação direta, íntima e muito potente com o público.” Fazer teatro para crianças exige escolhas específicas de linguagem e escuta. O que te move artisticamente quando cria pensando nesse público? “Minha espiritualidade me move profundamente — tenho caminhos muito ligados às crianças. Tecnicamente, o que me guia é o corpo. Criança é energia pura, e criar para elas exige presença, escuta e um corpo disponível para o jogo e para a brincadeira. Nada pode ser morno.” Embora seja voltado ao público infantil, o espetáculo dialoga com pessoas de todas as idades. Como essa história atravessa jovens e adultos? “Jovens e adultos se reconhecem muito na personagem. A questão do cabelo atravessa todas as idades — não só pela ideia do liso ou do enrolado, mas pela liberdade de ser quem se é. Todo mundo já foi aprisionado de alguma forma. O espetáculo fala muito diretamente com pessoas negras, e esse reconhecimento é emocionante. Costumamos dizer que o único teatro realmente para todas as idades é o infantil — e Emaranhada é um espetáculo para toda a família.” O espetáculo mistura teatro e música ao vivo. Qual é o papel da música na narrativa? “A música tem papel fundamental: ela conduz a narrativa a partir de um ponto de vista lúdico. A trilha é construída com a boca, a partir de sons e onomatopeias do imaginário infantil — e as crianças participam, fazem junto, é lindo. As canções são todas originais: parte foi escrita por Luan Valero e parte pela diretora musical Natália Lepri. A trilha foi criada exclusivamente para o espetáculo.” É a primeira vez do espetáculo no Pará. O que representa apresentar essa obra aqui? “É de arrepiar. O espetáculo fala de raízes, de ancestralidade, de potência. Raízes que estão na nossa cabeça, mas também nos fincam no chão, na terra de onde viemos. O Pará e a região Norte carregam essa força ancestral, amazônica, viva — tudo isso dialoga profundamente com a obra.” Serviço Espetáculo: Emaranhada: Trançando o Norte e Nordeste Local: CAIXA Cultural Belém Av. Marechal Hermes, s/nº – Armazém 6ª, Reduto (Porto Futuro II) Data: 03 a 08 de março de 2026 Horários: Terça e quarta: 15h Quinta e sexta: 19h Sábado e domingo: 17h ️ Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia) Venda a partir de 23 de fevereiro no site da CAIXA Cultural Oficina – Brincadeiras Africanas 08 de março (domingo) 14h ️ Entrada gratuita Classificação: Livre VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará