O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) liberou no início de fevereiro mais um lote de documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein, financista americano que morreu na prisão em 2019 antes de responder às acusações de crimes sexuais contra menores de idade, como tráfico e abuso sexual. Caso Epstein: Hillary Clinton, que depõe esta semana no Congresso, nega que marido tenha 'conexões' com criminoso sexual Contexto: o que se sabe sobre escândalo do Caso Epstein, que causou crise política e atingiu elites na Europa e nos EUA? Ao todo, são quase 3,5 milhões de arquivos disponibilizados na chamada “Epstein Library”, página criada dentro do site oficial do departamento. O acervo pode ser consultado por meio de uma ferramenta de busca, que permite pesquisar nomes e termos específicos entre milhões de páginas tornadas públicas. Segundo o DOJ, os documentos foram reunidos a partir de diferentes frentes da investigação. O material inclui registros dos processos contra Epstein em Nova York e na Flórida, dados do julgamento de Ghislaine Maxwell — condenada por recrutar e aliciar garotas para o financista —, informações sobre as apurações da morte de Epstein, a investigação envolvendo um antigo mordomo do empresário e múltiplas investigações conduzidas pelo FBI. O que é o caso Epstein Jeffrey Epstein foi um multimilionário com patrimônio estimado em cerca de US$ 600 milhões que construiu relações próximas com membros da elite política, empresarial e cultural dos Estados Unidos e de outros países. Seu círculo social incluía políticos, artistas, empresários e celebridades. Em 2008, ele foi condenado na Flórida por crimes relacionados à exploração sexual de menores e cumpriu 13 meses de prisão, de uma sentença de 18 meses, após firmar um acordo controverso com promotores. Em 2019, ao retornar da França para os Estados Unidos, foi novamente preso e acusado de diversos crimes, entre eles tráfico sexual de menores. As acusações indicavam que ele teria abusado de centenas de meninas, algumas vezes com a participação de associados. Epstein morreu na prisão federal de Nova York cerca de um mês após ser detido. A perícia oficial concluiu que a causa da morte foi suicídio por enforcamento. As circunstâncias do caso, no entanto, alimentaram teorias da conspiração que questionam se ele teria sido assassinado. A gravidade das acusações gerou pressão pública pela divulgação dos documentos ligados ao caso, especialmente para identificar possíveis cúmplices e integrantes do círculo de contatos do financista. Durante anos, parte da opinião pública cobrou a revelação de uma suposta “lista de clientes”, que poderia ter sido usada por Epstein como instrumento de chantagem.