Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam detalhes perturbadores sobre o "Zorro Ranch", a propriedade de 7.600 acres de Jeffrey Epstein no Novo México. Segundo os registros, o FBI recebeu alertas de que o financiador estaria utilizando um incinerador escondido em um celeiro recém-construído para destruir evidências de seus crimes. As revelações surgem em meio a alegações de que o rancho serviu como cenário para abusos sexuais e tráfico de menores, com denúncias de que pelo menos duas jovens estrangeiras teriam sido estranguladas e enterradas na propriedade. O 'celeiro suspeito' e o incinerador Um relatório do FBI, datado de 19 de julho de 2019 — poucos dias após a prisão de Epstein —, registra o depoimento de um policial aposentado que patrulhou a região por 15 anos. Ele relatou às autoridades a construção de um celeiro atípico para atividades rurais. De acordo com o depoimento, a estrutura possuía uma chaminé e um sistema de segurança conhecido como "sally port" (uma entrada controlada com portas múltiplas onde apenas uma abre por vez). "O celeiro é suspeito, pois há uma porta de garagem que parece ser uma entrada de segurança e há uma chaminé. [Nome omitido] teme que a propriedade possa ter um incinerador escondido no local para destruir evidências", diz o relatório. O ex-policial também afirmou ter visto diversas figuras de "alto perfil" frequentando o rancho e mencionou rumores de que Epstein recrutava meninas para visitas ao local isolado. Alegações de assassinatos A atenção sobre o rancho intensificou-se após o surgimento de um e-mail enviado ao FBI por um suposto ex-funcionário da propriedade. Na mensagem, intitulada "Confidencial: Jeffrey Epstein", o remetente afirma ter "visto tudo" enquanto trabalhava no local. O e-mail alega que duas meninas estrangeiras foram enterradas nas colinas próximas ao rancho por ordens de Epstein e de Ghislaine Maxwell (referida como 'Madam G'). Segundo o relato, as jovens teriam morrido por estrangulamento durante práticas sexuais violentas. O autor da mensagem chegou a pedir o pagamento de um Bitcoin em troca de vídeos que comprovariam os crimes. Reabertura das investigações Diante dos novos fatos, o procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, anunciou a reabertura oficial das investigações sobre o Zorro Ranch. Embora o caso estadual tenha sido encerrado em 2019 a pedido de promotores federais, o gabinete de Torrez afirmou que as "revelações contidas nos arquivos do FBI justificam um exame mais aprofundado". Agentes especiais e promotores estaduais buscam agora acesso imediato aos arquivos federais sem rasuras para trabalhar em conjunto com uma nova "comissão da verdade" estabelecida por legisladores estaduais. O refúgio das elites Epstein adquiriu o Zorro Ranch em 1993 de Bruce King, ex-governador do Novo México. A propriedade de luxo incluía uma mansão de 2.500 metros quadrados, pistas de pouso privativas, hangares e diversas residências para funcionários. O local era utilizado como um refúgio isolado onde convidados VIP podiam circular com maior discrição do que em "Little St. James", a ilha particular de Epstein no Caribe. Documentos judiciais já incluíram relatos de vítimas, como uma mulher identificada como Jane Doe, que afirmou ter sido abusada no rancho em 2004, aos 15 anos.