'Ciclone-bomba': Fenômeno que causa toque de recolher em cidades dos EUA pode levar até 70cm de neve

Um poderoso ciclone-bomba deve provocar uma das mais intensas tempestades de inverno dos últimos anos no Nordeste dos Estados Unidos, colocando dezenas de milhões de pessoas em alerta ao longo do corredor próximo à fronteira com o Canadá. O sistema, que se intensifica rapidamente sobre o Atlântico, deve atingir com força cidades como Nova York, Boston e Filadélfia ainda hoje. Leia também: Com ventos de mais de 100km/h, arquipélago luso dos Açores pode ter ondas de até 19m Nevasca na Áustria: Fenômeno deixa cinco mortos e caos nas estradas e no fornecimento de energia O fenômeno é classificado como “bombogênese”, quando a pressão atmosférica do ciclone cai de forma explosiva em poucas horas, fortalecendo os ventos e intensificando as áreas de precipitação. O resultado é uma tempestade extremamente organizada, com características comparáveis às de um furacão de inverno. Galerias Relacionadas O National Weather Service, órgão que monitora o clima nos EUA, emitiu alertas de nevasca para grandes centros como Nova York e Boston, além de áreas dos estados de Nova Jersey e Connecticut. Para que haja caracterização oficial de nevasca, são necessários ventos acima de 56 km/h por pelo menos três horas e visibilidade inferior a 400 metros — critérios que devem ser amplamente superados durante o pico do sistema. Por conta da previsão, a prefeitura de Nova York ordenou o fechamento das escolas e recomendou que os motoristas evitem as estradas nesta segunda-feira Exploração espacial: Poluição atmosférica causada pela reentrada de foguetes é medida pela primeira vez; veja como e o resultado. Os acumulados de neve podem ultrapassar 70 centímetros em partes do litoral de Nova Jersey, em Long Island e no leste de Massachusetts. Em cidades como Nova York, Filadélfia e Boston, os volumes previstos variam entre 30 e 60 centímetros, com possibilidade de totais ainda maiores em faixas estreitas onde se formarem bandas intensas de neve. Essas formações, conhecidas como “mesoscale bands” ou bandas de mesoescala, podem produzir taxas de precipitação de 5 a 8 centímetros por hora, tornando ruas e rodovias completamente intransitáveis em poucas horas. A combinação de vento forte e neve intensa deve gerar condições de “whiteout”, ou visibilidade quase zero, quando é impossível enxergar além de poucos metros. As rajadas podem atingir entre 80 km/h e 110 km/h na costa, com picos ainda mais elevados em áreas expostas como Cape Cod e ilhas de Massachusetts. Além de agravar a sensação térmica, os ventos levantam a neve já acumulada, formando grandes montes e bloqueando estradas. Outro fator de preocupação é o risco elevado de falta de energia. A neve inicial tende a ser úmida e pesada, aderindo a árvores e redes elétricas. Com a chegada das rajadas mais intensas, galhos e postes podem ceder sob o peso combinado da neve e da força do vento, aumentando a probabilidade de apagões prolongados. Governadores de estados como Nova York e Nova Jersey já decretaram estado de emergência. Prefeituras mobilizaram milhares de trabalhadores, espalharam sal nas vias e posicionaram caminhões limpa-neve em pontos estratégicos. As autoridades pedem que a população evite deslocamentos desnecessários, especialmente entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira. O impacto no transporte aéreo começou antes mesmo da chegada do pior da tempestade. De acordo com a plataforma FlightAware, milhares de voos foram cancelados preventivamente. Companhias como Delta Air Lines, American Airlines e United Airlines flexibilizaram remarcações para evitar que aeronaves e tripulações fiquem retidas nas áreas mais afetadas. Além da neve e do vento, há risco de inundações costeiras moderadas a localmente severas. A combinação de maré alta, ventos persistentes de nordeste e ondas fortes pode provocar ressaca significativa, erosão de praias e alagamentos em áreas baixas próximas ao litoral. Meteorologistas destacam que pequenas variações na trajetória do ciclone podem alterar drasticamente os acumulados finais de neve em determinadas cidades. Ainda assim, a avaliação é de que se trata de um evento de grande magnitude, com potencial para entrar na lista das tempestades mais marcantes da última década no Nordeste americano. Se as projeções se confirmarem, o ciclone-bomba não apenas deve paralisar o transporte e as atividades econômicas por vários dias, como também deixar uma paisagem típica de inverno extremo, com montes de neve que podem ultrapassar um metro em áreas de maior acúmulo e exigir uma longa e difícil operação de limpeza nas principais metrópoles da região.