EUA dizem a parceiros para honrarem acordos tarifários já firmados

Altos funcionários do governo dos Estados Unidos afirmaram que a derrota do presidente Donald Trump sobre tarifas na Suprema Corte não desfará os acordos negociados com parceiros dos EUA, enquanto buscavam defender as políticas comerciais assertivas do governo. Esses acordos — firmados pelo governo com parceiros incluindo China, União Europeia, Japão e Coreia do Sul — permanecem em vigor, disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, no domingo, no programa Face the Nation, da CBS. Ele procurou separar esses entendimentos da tarifa global de 15% anunciada por Trump no sábado. — Queremos que eles entendam que esses acordos serão bons acordos — disse Greer. — Vamos mantê-los. Esperamos que nossos parceiros também os mantenham. O atrito em torno da renovada incerteza veio à tona no domingo, quando o chefe de comércio do Parlamento Europeu afirmou que proporá o congelamento da ratificação, pela União Europeia, de um acordo comercial com os EUA até que o governo Trump esclareça sua política. Em Nova Délhi, autoridades citaram razões semelhantes para o adiamento, pela Índia, das negociações nos EUA nesta semana sobre a finalização de um acordo comercial provisório. A decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou o uso, por Trump, de poderes emergenciais para impor tarifas precedeu sua viagem planejada para o próximo mês à China. Greer sugeriu que ferramentas comerciais alternativas dos EUA, incluindo aquelas que envolvem investigações sobre as práticas comerciais de outros países, dariam aos EUA poder de barganha. — Já temos tarifas como essas em vigor sobre a China, temos investigações abertas — disse ele. Espera-se que Trump se reúna com o presidente chinês Xi Jinping durante sua visita, que começa em 31 de março. — O presidente e Xi têm um relacionamento forte —disse Greer à Fox News Sunday. Os EUA mantêm uma tarifa média de 40% sobre a China sem utilizar a lei de emergência anulada pelo tribunal, afirmou ele. A abordagem de Trump para o comércio, amplamente anulada pela Suprema Corte, ainda assim irritou parceiros comerciais dos EUA em todo o mundo, incluindo a União Europeia. Greer afirmou que “conversou com meu homólogo da UE neste fim de semana” e que falaria com autoridades de outros importantes parceiros comerciais dos EUA para tranquilizá-los. — Fiquem tranquilos, eu também tenho conversado com essas pessoas — disse Greer à CBS. —Tenho dito a eles há um ano — ganhássemos ou perdêssemos, teríamos tarifas; a política do presidente iria continuar. Foi por isso que eles assinaram esses acordos mesmo enquanto o litígio estava pendente — afirmou. A Comissão Europeia, braço executivo da UE em Bruxelas, disse no domingo que quer “plena clareza” sobre os próximos passos do governo Trump. “Um acordo é um acordo”, afirmou o órgão executivo do bloco em comunicado, acrescentando que espera que os EUA honrem seus compromissos sob um acordo comercial assinado em agosto. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse ser “criticamente importante” que o comércio global “tenha clareza” por parte do governo dos EUA. — Espero que isso seja esclarecido e que seja suficientemente bem pensado para que não tenhamos, novamente, mais desafios e que as propostas estejam em conformidade com a Constituição, em conformidade com a lei — disse Lagarde no programa Face the Nation. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou mais cedo no domingo que os EUA estavam em contato com seus parceiros comerciais estrangeiros “e eles gostam dos acordos tarifários”. — Portanto, vocês sabem, eles não serão alterados — disse Bessent no programa Sunday Morning Futures, da Fox News. O deputado Don Bacon, um republicano cético em relação às tarifas e que elogiou a decisão da Suprema Corte, disse em uma postagem nas redes sociais que a nova ordem tarifária de 15% de Trump “não vai perdurar”. As novas tarifas serão baseadas na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por 150 dias sem aprovação do Congresso sob circunstâncias específicas, incluindo déficits “grandes e graves” no balanço de pagamentos. "Não é constitucional”, disse Bacon na rede X. “Não é apenas uma política terrível, mas também é uma má política do ponto de vista político.” Greer sinalizou que os parceiros comerciais dos EUA não devem contar com alívio tarifário com base na decisão da Suprema Corte. Ele disse que a tarifa global de 15% anunciada por Trump no sábado é “aproximadamente equivalente aos tipos de tarifas que tínhamos em vigor” sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional — o instrumento que o tribunal decidiu que Trump não pode usar para impor tarifas. — A realidade é que queremos manter a política que temos, ter o máximo de continuidade possível — disse Greer no programa This Week, da ABC.