Austrália avalia reabrir caso de menina britânica desaparecida em praia há 55 anos; entenda

Promotores da Austrália analisam a possibilidade de reabrir um dos casos mais emblemáticos de desaparecimento infantil do país, ocorrido há mais de cinco décadas. A família de Cheryl Grimmer recebeu com satisfação a sinalização de que as autoridades de Nova Gales do Sul (NSW) podem revisar a decisão anterior de não prosseguir com o processo criminal. Vídeo: Filhote de macaco que comoveu internet agarrado a pelúcia é finalmente aceito por grupo em zoológico japonês Final feliz: Cão abandonado em aeroporto de Las Vegas é adotado por policial que participou do resgate Cheryl tinha três anos quando desapareceu da praia de Fairy Meadow, em Wollongong, em janeiro de 1970. Apesar das extensas buscas realizadas na época, nenhuma pista conclusiva foi encontrada. O caso permaneceu sem solução por décadas. Em 2017, um homem chegou a ser formalmente acusado pelo sequestro e assassinato da criança. O processo judicial, no entanto, foi interrompido porque a principal prova — uma confissão feita por ele ainda na adolescência — foi considerada juridicamente inadmissível. O acusado nega qualquer envolvimento no crime e, diante da fragilidade probatória, os promotores retiraram a acusação. Desde então, a família tem mantido pressão pública para que o caso seja revisto. Atendendo à mobilização — inclusive por parte dos parentes — a diretora de processos criminais de NSW, Sally Dowling, informou que seu gabinete está disposto a realizar uma revisão especial da decisão anterior. Em carta enviada à família, Dowling explicou que o prazo regular para solicitar formalmente uma revisão já havia expirado. Ainda assim, decidiu abrir uma exceção e concordou em analisar novamente o caso. Ela indicou duas possibilidades: revisar imediatamente com base nas provas entregues pela polícia em 2019 ou aguardar a conclusão da avaliação de informações adicionais que os detetives afirmam ter descoberto recentemente, descritas como “novas” informações. — Demorou anos demais, mas finalmente estamos muito felizes que eles reconheçam nossa luta por alguma justiça para Cheryl — declarou o irmão mais velho de Cheryl, Ricki Nash, à BBC. Podcast deu viibilidade ao caso O caso ganhou nova visibilidade após o lançamento, em 2022, do podcast Fairy Meadow, produzido pela BBC, que reexaminou o desaparecimento. Desde a divulgação do programa, ao menos uma nova testemunha se apresentou. Segundo Nash, a família enviou carta à Polícia de NSW solicitando formalmente a reabertura da investigação, agora considerando evidências surgidas após 2019. — Não estamos pedindo nada extraordinário. Quando a transparência conduz o processo, o mal não pode mais se esconder atrás de falhas processuais ou da divisão burocrática. A família havia se mudado recentemente de Bristol para a Austrália como parte do programa conhecido como “Ten Pound Poms”, que incentivava a migração de britânicos ao país mediante custo reduzido de passagem. O desaparecimento No dia do desaparecimento, Ricki Nash estava encarregado de supervisionar os irmãos mais novos enquanto a família se preparava para deixar a praia. Ele foi instruído a ir até o bloco de banheiros, e Cheryl correu rindo em direção ao vestiário feminino, recusando-se a sair. Constrangido demais para entrar no espaço feminino, Nash retornou à praia para buscar ajuda da mãe. Quando ambos voltaram, cerca de 90 segundos depois, a menina já não estava mais no local. Desde a interrupção do julgamento, ocorrida há sete anos, a família sustenta que houve falhas significativas por parte das autoridades de NSW tanto na busca inicial quanto nas etapas subsequentes do caso. Em outubro do ano passado, Jeremy Buckingham, integrante do Conselho Legislativo de NSW — a câmara alta do estado — utilizou o privilégio parlamentar para tornar público o nome do suspeito, até então conhecido apenas como Mercury. O nome verdadeiro permanece protegido por lei, já que ele era menor de idade na época do suposto crime. Além disso, está prevista para maio uma investigação parlamentar em NSW voltada a casos de assassinatos não resolvidos e desaparecimentos de longa duração. O caso de Cheryl Grimmer será incluído na apuração, o que pode ampliar o escrutínio institucional sobre o desaparecimento e sobre as decisões tomadas ao longo das últimas décadas.