Chanceler de Cuba acusa EUA de tentar provocar 'catástrofe humanitária' na ilha com bloqueio de combustíveis

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou em Genebra nesta segunda-feira o que chamou de "escalada agressiva" dos EUA contra a ilha, afirmando que o comportamento de Washington visa provocar "uma catástrofe humanitária" no país. A declaração do chanceler cubano acontece em meio à pressão exercida pelo presidente americano, Donald Trump, que intensificou o embargo contra Havana, pressionando outros países, incluindo a Venezuela, a interromper o envio de petróleo ao país. À beira do colapso: Sem petróleo da Venezuela, crise de Cuba se aprofunda e expõe fragilidades estruturais Marco Rubio: Chefe da diplomacia dos EUA mantém negociações secretas com o neto de Raúl Castro, revela veículo dos EUA — [Os EUA] estão impondo um bloqueio energético e pretendem criar uma catástrofe humanitária, usando como pretexto a absurda alegação de que Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à sua segurança nacional — afirmou Rodríguez na Conferência sobre Desarmamento realizada na cidade suíça. Initial plugin text O ministro cubano ainda denunciou as ações americanas como "criminosas e ilegais", afirmando que, somadas, "constituem uma punição coletiva implacável contra o povo cubano" — o país enfrenta uma grave escassez de combustível, que repercute em apagões frequentes, uma vez que o sistema elétrico é quase totalmente dependente de termoelétricas. O corte no fornecimento por Caracas fragilizou ainda mais a situação. A ilha comunista é um dos principais alvos declarados de Washington, que desde que mobilizou boa parte de seu poder naval para a região do Caribe, mantém uma narrativa hostil contra os regimes de esquerda da América Latina. Ainda em janeiro, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, Trump assinou um decreto classificando a ilha como uma "ameaça extraordinária" aos EUA — em um sinal de que Havana poderia ser a próxima a receber uma eventual ação americana. Rodríguez rebateu a classificação americana. — Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos nem para qualquer outro país — insistiu o chanceler cubano nesta segunda-feira, afirmando que Havana não adota "políticas com o objetivo declarado de dominação". O chanceler também afirmou que Cuba não "mobiliza forças militares" ou "viola a soberania e a integridade territorial de outros Estados" — em uma provável referência as ações americanas, tanto sob Trump quanto historicamente, na região como um todo. — Permanecer impassível diante dessas tentativas de impor uma tirania global coloca todos os Estados em risco, sem exceção — afirmou. Homem empurra carrinho em rua de Havana: governo teme 'crise humanitária' caso falta de combustível se agrave Yamil Lage/AFP Em um outro discurso nesta segunda-feira, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, Rodríguez afirmou que o governo cubano impediria uma crise humanitária no país mesmo que isso custasse caro "em termos de penalidades e sofrimentos". Um comboio internacional, formado por uma coalizão de movimentos, sindicalistas, deputados, organizações humanitárias e figuras públicas, prometeu enviar um carregamento com ajuda humanitária para Cuba até 21 de março, incluindo "alimentos, remédios, suprimentos médicos e bens essenciais", segundo seus organizadores. Ativistas políticos como a sueca Greta Thunberg e o americano David Adler organizam o comboio e afirmam que ele persegue o mesmo objetivo que as flotilhas que tentaram romper o cerco israelense a Gaza no ano passado: "desafiar um bloqueio que estava provocando fome na população civil". (Com AFP)