Patógeno fúngico de 'prioridade crítica' identificado pela OMS pode ser ainda mais letal, diz novo estudo

Um novo estudo encontrou a primeira evidência de que um patógeno fúngico identificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como "prioridade crítica" pode se tornar ainda mais letal quando coinfectado com tuberculose. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira (23) na revista científica Journal of Medical Microbiology. Acesso à saúde pública: Cai oferta de leitos obstétricos, pediátricos e psiquiátricos no SUS durante o governo Lula Centro da 'vida eterna' dos super-ricos: Conheça clínica de luxo na Suíça que atende um paciente por vez e cobra R$ 625 mil por semana A equipe de pesquisadores observou que o fungo Cryptococcus neoformans, que infecta pessoas pela inalação de esporos ou células de levedura presentes no ambiente, combinado com a infecção pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, o agente causador da tuberculose, aumenta significativamente o risco de morte em comparação com apenas a infecção fúngica. "Sabemos que esses patógenos são comumente isolados de pacientes em regiões endêmicas, mas ninguém investigou o impacto de um sobre o outro. Nossa hipótese era de que a co-incubação de C. neoformans com espécies de Mycobacterium resultaria em células de C. neoformans com alterações no tamanho e na forma, tornando-as mais patogênicas e perigosas", afirma Orlando Ross, primeiro autor do estudo publicado no Journal of Medical Microbiology e candidato a doutorado na Universidade de Exeter, no Reino Unido. E a descoberta feita por meio de análises confirmou a hipótese: na presença de micobactérias, o fungo alterou sua densidade celular, diversidade celular e tamanho da cápsula — uma membrana externa protetora que envolve as células do fungo. O que, por sua vez, deixa o fungo ainda mais nocivo para o organismo. Esse cenário também foi testado levando em conta como o sistema imunológico seria afetado. Ao replicar o ambiente pulmonar coinfectado, os pesquisadores descobriram que as células imunológicas tinham maior probabilidade de serem invadidas pelo fungo quando expostas à tuberculose, em comparação com a situação em que não estavam expostas. "Isso demonstra que a presença simultânea de patógenos bacterianos e fúngicos no pulmão pode agravar o prognóstico dos pacientes", explica Ross. Lista crítica da OMS Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma lista de fungos que representam alerta para a saúde global. Ao todo, são 19 fungos que estão crescendo e se tornando resistentes a tratamentos. Eles estão divididos em três classes: médio, alto e crítico. Quatro tipos de fungos foram incluídos no grupo de prioridade crítica: Aspergillus fumigatus, Candida albicans, Cryptococcus neoformans e Candida auris. O fungo Cryptococcus neoformans pode causar infecções cerebrais mortais. No mundo, é uma das principais causas de doença em pacientes com HIV/AIDS e mata pelo menos 180.000 pessoas anualmente. As infecções por fungos são responsáveis por cerca de 1,7 milhão de mortes e mais de 150 milhões de internações graves em todo o mundo a cada ano. A OMS tem listas semelhantes de vírus e bactérias que servem como guias para definir quais pesquisas devem ser priorizadas.