Desgastado pela crise do Master e do BRB, o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), tenta fazer o ex-presidente Jair Bolsonaro recuar na definição de palanque ao Senado na capital. Com a intenção de se lançar à Casa Legislativa, Ibaneis busca apoio de aliados para evitar uma dobradinha do PL, que seria representada pelas candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Nos últimos meses, o governador do DF vem sendo pressionado pelos prejuízos causados ao banco estatal do DF, cuja gestão é investigada após negociação com a instituição de Daniel Vorcaro. No plano nacional, Ibaneis indica que o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência ainda não está definido. — Vou trabalhar para que tenhamos um palanque único em Brasília até o último momento. Quanto à minha candidatura, sigo firme como fiz desde o início. Quanto ao Flávio, ainda não conversei com ele — disse Ibaneis ao GLOBO. Ex-ministra de Jair Bolsonaro e próxima de Michelle, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) chegou a criticar Ibaneis diante do caso Master e um assinou um requerimento para ele prestar informações na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Em tom duro, o requerimento, que também foi assinado pelos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Leila Barros (PDT-DF), diz que Ibaneis é “garoto propaganda do banco Master”. Em depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, disse que conversou com o governador do Distrito Federal sobre a venda da instituição ao BRB, instituição controlada pelo governo de Ibaneis. O governador tem negado qualquer irregularidade. Perguntado sobre as críticas e Damares, ele disse que “política se faz com calma”. Nas últimas semanas, este não é o primeiro caso em que articulações de Jair Bolsonaro dificultam alianças com outros partidos. Em Santa Catarina, a decisão de ter a deputada Caroline de Toni e o ex-vereador Carlos Bolsonaro, ambos do PL, como candidatos ao Senado, provocou insatisfação do senador Esperidião Amim (PP-SC), que deseja se reeleger. Planos para tapar rombo de R$ 5 bi Como informou O GLOBO, a Caixa está negociando comprar carteiras de crédito do BRB. Com a operação, a instituição do DF pode reforçar sua liquidez imediata e ganhar tempo enquanto se busca uma solução para o buraco de ao menos R$ 5 bilhões que deve se abrir no balanço com as provisões (reservas) necessárias para fazer frente a eventuais perdas com os ativos herdados do Master. A Caixa também não descarta participar de um eventual consórcio para concessão de um empréstimo ao Distrito Federal para socorrer o BRB. Mas, segundo interlocutores a par do assunto, as conversas ainda não chegaram neste ponto. A sexta-feira, o governo do DF enviou à câmara distrital um projeto de lei que autoriza o DF, na condição de acionista controlador do BRB, a adotar medidas destinadas à recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido e do capital social da instituição financeira. Isso pode ser feito mediante aporte direto; a venda prévia de bens públicos, com posterior destinação da receita ao BRB; e outras medidas juridicamente admitidas que atendam às normas do sistema financeiro nacional.