A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou a manutenção, com ajustes, do novo procedimento de largada para as corridas da temporada 2026 da Fórmula 1, em meio a debates entre equipes e pilotos sobre segurança e eficácia do atual regulamento. Nas últimas semanas de pré-temporada, realizadas no Circuito Internacional do Bahrein, a entidade máxima do automobilismo organizou testes específicos para avaliar como os carros com as novas unidades de potência — que abandonaram o MGU-H e trazem maior participação elétrica — se comportam na saída do grid, fase apontada como uma das mais críticas. Durante essas sessões de avaliação, foi utilizada uma variação no procedimento tradicional de largada, em que cinco luzes azuis são acionadas por alguns segundos antes das cinco luzes vermelhas que sinalizam o início da corrida. Em resumo, o procedimento testado e validado vai funcionar da seguinte forma: os carros se alinham no grid de largada normalmente. Novos painéis de luzes azuis no grid se acendem por 5 segundos. Durante este tempo, os pilotos elevam as rotações (RPM) para dar pressão ao turbo e preparar a embreagem. Após os 5 segundos de luzes azuis apagarem, inicia-se a sequência tradicional de cinco luzes vermelhas. As luzes se apagam e a corrida começa. Essa mudança tem o objetivo de dar mais tempo aos pilotos para a chegar à configuração correta dos carros antes do momento decisivo da largada. Como consequência, a federação baniu o uso da configuração de baixa carga aerodinâmica (modo "straight") e todos os carros deverão iniciar com a configuração de alta carga para garantir maior aderência e segurança na aceleração inicial. A FIA confirmou que essa sequência faz parte da regulamentação e será mantida para 2026, embora permaneça sujeita a pequenos refinamentos ao longo da temporada. Segundo a entidade, os ajustes foram concebidos para reduzir riscos e garantir que todos os pilotos tenham condições de iniciar a prova dentro das normas técnicas atuais. Andrea Stella, chefe da McLaren, havia alertado que, com a remoção do MGU-H, as largadas estão mais complexas e ineficientes. A equipe teme que, quando começarem as corridas, os carros que não conseguirem arrancar corretamente ficarão lentos e poderão provocar colisões graves com os que vêm atrás. A entidade declarou que continuará monitorando os efeitos desses procedimentos ao longo do ano e que eventuais mudanças podem ser introduzidas caso dados de segurança ou competitividade indiquem necessidade de adaptação. As preocupações, no entanto, não desapareceram completamente. Apesar de um procedimento aprimorado, tudo indica que os primeiros segundos de um Grande Prêmio ainda trarão muitos momentos de perigo. “De certa forma, a preocupação não foi necessariamente superada”, analisou Stella.