Governo de SP recebe duas propostas para construção de Novo Centro Administrativo

O governo de São Paulo recebeu, nesta segunda-feira (23), duas propostas para a licitação do Novo Centro Administrativo, projeto que pretende transferir a sede da gestão estadual do bairro do Morumbi para os Campos Elíseos, no Centro da capital paulista. Um consórcio formado pela Acciona e pela Construcap deu uma das propostas, e a outra foi dada pelo Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado por cinco empresas: Zetta infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK empreendimentos Imobiliários e Iron Property. O leilão vai ocorrer na quinta-feira, na B3, e será escolhido o consórcio que der o maior desconto na contraprestação pública mensal, que é o valor que o governo vai repassar mensalmente à concessionária. Além dos repasses mensais, o governo fará um aporte para custear a construção dos empreendimentos. Ao todo, a previsão é de R$ 6,1 bilhões no projeto, ao longo dos 30 anos, sendo R$ 3,4 bilhões do estado. O consórcio vencedor vai fazer o projeto do novo centro, construir, fazer as reformas, os restauros — ao menos 17 prédios tombados deverão ser restaurados – e fazer a manutenção e gestão do espaço por 30 anos. Em contrapartida, a concessionária poderá explorar o espaço comercialmente, alugando lojas e vendendo residências, ainda que a população de baixa renda tenha prioridade nas habitações. O projeto arquitetônico já foi definido pelo estado em um concurso realizado em 2024, e será feito pelo arquiteto Pablo Chakur, do escritório Ópera Quatro. Promessa de campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o projeto prevê, além da nova sede do governo e das secretarias estaduais, a construção de unidades de habitação social, espaços para comércios e restaurantes e uma revitalização ampla no entorno dos prédios administrativos, em um perímetro que compreende a Avenida Rio Branco e arredores A iniciativa promete transformar ruas como Helvetia, Alameda Dino Bueno, Guaianases, Barão de Piracicaba e as alamedas Glete e Nothmann, com alargamento de calçadas, trechos dedicados apenas para circulação de pedestres e melhorias de acessibilidade e drenagem. O terminal de ônibus Princesa Isabel será removido e a Praça Princesa Isabel será prolongada e vai virar uma espécie de boulevard, com jardins e espaço para pedestres. O trecho da Rua Guaianases entre a Avenida Duque de Caxias e a Alameda Glete será de uso exclusivo para pedestres, bem como a Rua Helvetia e Alameda Glete entre a Avenida Rio Branco e a Rua Conselheiro Nébias. Em relação aos prédios governamentais, a ideia é que ocupem quatro quadras entre a rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. Os edifícios terão fachada ativa, com a possibilidade de comércios e serviços na parte térrea e, no subsolo, haverá estacionamentos. Hoje, os cerca de 22 mil servidores estaduais se dividem entre quase 40 imóveis na cidade, pois cada secretaria fica em um lugar diferente. No Centro, por exemplo, estão secretarias como a de Educação e Habitação, enquanto a Saúde fica na região dos Jardins e outras estão no Palácio dos Bandeirantes. Com os novos prédios, a ideia é unificar os órgãos estaduais num só local. Mas haverá exceções. Mesmo após o governo ser transferido para o Centro, o governador deve manter um gabinete no Palácio dos Bandeirantes, que também seguirá sendo a residência oficial do chefe do Executivo paulista. As secretarias da Casa Civil e Comunicação também devem permanecer no espaço atual. A empresa que ganhar a concorrência deverá construir ainda o Terminal Luz, que vai substituir o atual Princesa Isabel e vai ter conexão com a Estação da Luz, por meio de um túnel que já está em construção pela CPTM. Somente com o equipamento de transporte público, o gasto deve girar em torno de R$ 37 milhões. Para colocar a obra de pé, também serão necessárias desapropriações, que deverão ser efetuadas pela concessionária do espaço. Para isso, foram mapeadas cerca de 600 famílias na área do projeto, sendo que mais da metade já está cadastrada, enquanto as demais estão em fase de contato ativo pelas equipes sociais. O LabCidade, da Universidade de São Paulo, apontou em uma nota técnica a necessidade de "apresentação de estudos que demonstrem os impactos habitacionais e de mobilidade do projeto", porque parte dos terrenos onde será implementado o novo centro é classificado como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), onde devem ser construídos novos empreendimentos com unidades de habitação de interesse social ou de moradia popular, mas também permite atividades não residenciais.