'Vai bater, vai bater': sobrevivente descreve colisão de lancha que deixou seis mortos na divisa entre SP e MG

Sobreviventes do acidente de lancha que deixou seis mortos na divisa entre São Paulo e Minas Gerais neste sábado (21) relataram que a embarcação errou o trajeto ao tentar retornar a um chalé às margens da Represa de Jaguara. De acordo com testemunhas, a lancha havia saído de um bar flutuante e seguia em direção ao chalé quando colidiu com um píer que, segundo os relatos, não possuía iluminação nem sinalização. CNJ abre apuração sobre decisão do TJMG que absolveu acusado de estupro de menina por 'vínculo consensual' Conheça a nova travessia entre Ceará e Piauí, a primeira trilha a ligar Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga A embarcação transportava 15 pessoas. Seis delas, incluindo o piloto, morreram. Entre as vítimas estão Bento Aredes, de 4 anos, e sua mãe, Viviane Aredes, que completaria 36 anos neste domingo. — A gente estava no meio do rio. Fizemos um retorno em direção à margem, mas nos perdemos. Voltamos devagarzinho. Eu estava com o celular na frente, usando a luz para iluminar, porque não dava para enxergar direito. De repente, vi a estrutura de madeira. Foi quando gritei: “vai bater, vai bater” — relatou Rogério Souza, um dos sobreviventes, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. — Acho que, na hora da batida, alguém encostou no acelerador. Escutei o barulho do motor novamente. Quando o motor tracionou, o pessoal caiu para trás, a lancha levantou e tombou — continuou. O sobrevivente disse que estava próximo à margem e conseguiu sair andando para pedir socorro. Ele também tentou ajudar no resgate de outras pessoas. Na mesma linha, Diane de Faria destacou a falta de iluminação no píer em que a embarcação colidiu. — Quando terminou a curvinha da mata, o píer já estava na nossa frente. Foi muito rápido. O Rogério gritou 'vai bater', e bateu. Não tinha como fazer nada. Não havia sinalização nenhuma — disse. Os corpos de seis vítimas foram encaminhados ao Posto Médico Legal em Araxá, para exames e identificação, e depois liberados aos parentes. Conforme as autoridades, populares auxiliaram antes da chegada das equipes de resgate. Três vítimas foram localizadas rapidamente, enquanto as outras três teriam sido encontradas por um mergulhador amador que se encontrava nas proximidades. Local do acidente Editoria de Arte Quem são as vítimas do acidente As seis pessoas morreram na hora — quatro mulheres e um homem, além da criança. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Araxá. Segundo o boletim de ocorrência, as vítimas morreram afogadas. Três delas estavam com colete salva-vidas. Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira - 40 anos Wesley Carlos da Silva - 45 anos Bento Aredes - 4 anos Viviane Aredes - 36 anos Erica Fernanda Lima Marina Matias Rodrigues - 22 anos Outras duas pessoas precisaram ser levadas a uma unidade de saúde de Rifaina (SP), mas, com ferimentos considerados leves, foram liberadas. Moradores da região auxiliaram nos trabalhos de resgate das vítimas, assim como agentes da Guarda Civil Municipal de Rifaina. Em nota enviada ao GLOBO, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) disse que a perícia técnica foi acionada até o município de Sacramento, em razão de acidente náutico registrado no local. Já a Capitania Fluvial do Tietê-Paraná disse que uma equipe de peritos foi enviada ao local, para coletar dados para o Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN). O procedimento vai apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo acidente. O prazo para conclusão da análise é de 90 dias, podendo ser prorrogado.