'Três Graças': fenômeno na web, Lorena e Juquinha viram alvo de antagonista na trama

O tempo vai fechar para o casal "Loquinha" na novela "Três Graças", da TV Globo. Nesta semana, as namoradas Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovski) se tornarão alvos de um plano armado por Lucélia (Daphne Bozaski) na trama. A antagonista, sobrinha de Kasper (Miguel Falabella), fornecerá informações a Ferette (Murilo Benício) em troca de dinheiro. E mais. Ela fará com que a dupla acredite que Kasper esteja envolvido com drogas. Paredão: Enquete do BBB 26 aponta sister eliminada com 51%, mas com pouca vantagem; veja parcial atualizada Boxeador campeão e 'zero defeitos': Quem é o namorado de Mel Maia, que a ajuda a passar pelo luto com amor Fato é que as águas vão rolar, e muito, para as personagens coadjuvantes, que viraram um fenômeno à parte no folhetim das 21h. Não à toa, o termo "Loquinha", junção dos nomes das duas, figura constantemente entre os assuntos mais comentados no X a nível mundial. Nas redes sociais, elas são celebradas em perfis de países tão distantes como Canadá, Itália e Tailândia. Várias contas se dedicam a legendar cenas das duas e produzir resumos da novela em inglês. Em todos os lugares Até a TV Globo entrou na brincadeira e legendou cenas em inglês, italiano e espanhol, para a alegria do fã-clube gringo. "Muito feliz por vocês saberem como tratar o público internacional", agradeceu uma usuária, em inglês. — O sucesso internacional de Loquinha é resultado de uma estratégia consistente da TV Globo, que compreende o digital não apenas como canal de divulgação, mas como parte fundamental da jornada da audiência, com linguagens e formatos próprios — afirma Samantha Almeida, diretora de Marketing da emissora, em entrevista ao GLOBO. — Quando o público se reconhece, cria e compartilha histórias a partir dos nossos personagens, identificamos ali uma oportunidade clara de aprofundar o vínculo, a relevância e a conexão com nossas narrativas. Fã ardorosa do casal Loquinha, a americana Rachel Lippincott, autora de romances sáficos (isto é, protagonizados por mulheres lésbicas ou bissexuais), está aprendendo português e assiste a "Três Graças" toda noite no Globoplay. A autora do recém-lançado "Natal das garotas" (Alt) descobriu Lorena e Juquinha no X, por indicação de "uma pessoa da Tailândia que está atolada até o pescoço no universo GL (girl love)". — O que cativa o público é a química entre as duas e a representação genuína e honesta da experiência sáfica. De Juquinha mandando um poema para Lorena depois do primeiro beijo a Lorena não ter ideia do interesse da outra, tudo é muito real e fiel ao que muitas de nós vivemos — diz Lippincott, que revê sempre um compilado dos melhores momentos de Clara e Marina, casal da novela "Em família", de 2014, interpretado por Giovanna Antonelli e Tainá Müller. Gabriela Medvedovsky e Alanis Guillen Bruna Sussekind O GLOBO conversou com outras três fãs internacionais do casal Loquinha — todas têm entre 20 e 30 anos, optaram por não revelar o sobrenome por questões de privacidade e nunca haviam tido contato algum com novelas brasileiras. Também conheceram "Três Graças" nas redes sociais e, devido ao fuso horário, espiam a novela de madrugada, no Globoplay. Na falta de legendas, contam com a ajuda de brasileiros para acompanhar a trama. — A linguagem do amor é universal — diz a britânica Sophie. — No mundo todo, há cada vez menos casais lésbicos na televisão, o que nos leva a procurar por representatividade em lugares diferentes. Initial plugin text A sueca Elle ressalta que, na contramão de muitas representações sáficas na cultura pop, o amor de Lorena e Juquinha se desenrola "sem dramas e conflitos desnecessários". — A cultura sáfica é muito popular na internet. Quando encontramos uma boa representação do amor entre mulheres, ela vai viralizar. As fãs criam memes incríveis a partir das cenas e ajudam a história a viajar pelo mundo — diz Mari, filha de uma chilena e de um canadense que vive em Barcelona. Zenilda (Andréia Horta), Juquinha (Gabriela Medvedovsky) e Lorena (Alanis Guillen) Globo/ Manoella Mello Por trás do sucesso do casal Loquinha, explica a professora da UFF Simone Pereira de Sá, estão os "fandons transnacionais", que, graças às mídias digitais, conseguem se articular para além dos contextos locais. — São conteúdos relacionados à cultura sáfica e ao feminismo que fazem sucesso no mundo digital. O fato de as duas serem lindas e a falta de marcas muito nacionais na história também ajudam na identificação do público estrangeiro — afirma a coordenadora do Laboratorio de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação (LabCULT). —E o Brasil está na moda. É o #BrazilCore, estética inspirada nas periferias e até em alguns clichês, que tem chamado atenção lá fora. O número de seguidores estrangeiros nas redes sociais das intérpretes de Juquinha e Lorena só aumenta. — Além de todo o carinho do público brasileiro, tenho recebido mensagens em diversas línguas de pessoas contando que assistem à novela — conta a atriz Gabriela Medvedovski. Para Alanis Guillen, o casal caiu nas graças do público porque "o romance é real, sem estereótipos, é afeto puro, um amor que se permite existir". —Isso atravessa qualquer cultura — afirma a atriz. — Representar uma comunidade muitas vezes silenciada e levar esse amor de forma simples e humana para pessoas que talvez nunca tenham visto narrativas assim é muito poderoso. A representatividade liberta, acolhe e salva. E esse retorno internacional confirma a importância dessa história. Initial plugin text