Carro quase foi levado pela enxurrada em Brasiléia, em janeiro deste ano Reprodução Os municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, no interior do Acre, tiveram situação de emergência reconhecida pelo governo federal, conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (23) por conta de fortes chuvas que atingiram a região em janeiro deste ano. O primeiro município, inclusive, cancelou a programação oficial de Carnaval para concentrar esforços no atendimento às áreas atingidas em meio à elevação do Rio Acre. Os decretos de emergência de ambas as cidades foram publicados no dia 29 daquele mês. Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Com o reconhecimento federal, os municípios passam a ter acesso facilitado a recursos da União para ações de resposta e assistência, como ajuda humanitária, recuperação de áreas afetadas e apoio logístico. Com estes dois, já são oito municípios acreanos com a emergência reconhecida: Rio Branco, Feijó, Plácido de Castro, Porto Acre, Santa Rosa do Purus e Tarauacá. Duas cidades do AC cancelam carnaval e decretam situação de emergência por chuvas e cheia Naquele mês, o rio se aproximou das cotas de alerta, de 9,80 metros, e de transbordo 11,40 metros. Mais de 500 famílias chegaram a ficar isoladas em comunidades rurais. À época, o prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado (PP), afirmou que o decreto de emergência permite buscar apoio dos governos estadual e federal. "Os prejuízos causados pelo desastre podem ultrapassar R$ 1,5 milhão, impactando diretamente a infraestrutura rural e a economia local. Neste momento, a gestão municipal entra na fase de reconstrução, com a recuperação de mais de 13 pontes, reabertura de acessos e reconstrução de mais de 20 linhas de bueiros", destacou o gestor. LEIA MAIS: Cidade do AC recebe mais de R$ 1,5 milhão do governo federal para ações emergenciais por conta de enchente Governo federal reconhece emergência por enchente que afeta mais de 6 mil em município do AC Após transbordo, Rio Acre reduz mais de 6 metros duas semanas de fevereiro na capital Por conta de cheia do Rio Acre, governo cancela festa pública de Carnaval Além das duas cidades acreanas, outras 14 tiveram emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em todo o país. Mais de 100 milímetros em 1h No dia 27 daquele mês, Brasiléia registrou uma das maiores chuvas do mês. Segundo a Defesa Civil Municipal, mais de 143 milímetros de chuva caíram em 24 horas, volume que era esperado para cerca de dez dias. Em apenas uma hora, conforme o órgão, choveu mais de 100 milímetros. A enxurrada deixou ruas alagadas, causou transtornos no trânsito, provocou o transbordamento de igarapés na zona rural e derrubou pontes em ramais. Houve um deslizamento na Rua Ayrton Senna e um carro quase foi levado pela correnteza das águas no bairro Marcos Galvão. Nas imagens, divulgadas pela prefeitura, os moradores tentam evitar que o Cheia histórica em 2024 Em fevereiro de 2024, Brasiléia enfrentou a maior enchente da história do município, quando o Rio Acre atingiu 15,56 metros. A cidade superou a marca registrada em 2015, de 15,55 metros, naquela que ficou conhecida como a pior cheia da história da cidade, quando as águas do manancial cobriram 100% da área urbana do local. Na ocasião, a área urbana ficou inundada e quase 4 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas. A cheia também provocou o isolamento da cidade por via terrestre e a interdição da Ponte Metálica José Augusto, que liga Brasiléia a Epitaciolândia. Na época, em todo o estado, 14.476 pessoas estavam entre desabrigados e desalojados. Além disto, 17 das 22 cidades acreanas decretaram situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Ao menos 23 comunidades indígenas no interior do Acre também sofrem com os efeitos das enchentes. Reveja os telejornais do Acre