Baixo estoque de munição e risco de guerra contra o Irã preocupam chefe militar dos EUA, diz jornal; Trump nega

EUA aumentam pressão sobre o Irã com caças e porta-aviões O general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, teria alertado o presidente Donald Trump sobre o risco de baixas e de um conflito prolongado em caso de ataque ao Irã, segundo a imprensa americana. Em publicação na Truth Social nesta segunda-feira (23), Trump negou as reportagens e afirmou que a decisão sobre um bombardeio caberá a ele. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo o jornal The Washington Post, Caine manifestou preocupação com uma possível operação no Irã durante uma reunião na Casa Branca na semana passada. Fontes ouvidas pelo jornal disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades por causa do baixo estoque de munição. O arsenal estaria em baixa pelo apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem. O jornal afirmou também que Caine está preocupado com a dimensão de uma possível campanha militar contra o Irã. Devido à complexidade de uma operação no Oriente Médio, haveria risco de mortes de soldados americanos. O general teria mencionado ainda a falta de apoio de aliados na região. Em janeiro, o Wall Street Journal revelou que até rivais do Irã, como Arábia Saudita, Catar e Omã, se opuseram a um ataque. O general John Daniel Caine ao lado do presidente Donald Trump, em janeiro de 2026 Getty Images via BBC Já o site Axios disse que Caine também alertou Trump sobre a possibilidade de um conflito prolongado em caso de ataque. Autoridades ouvidas pela reportagem disseram que o presidente está tendendo a autorizar um bombardeio. Na Truth Social, Trump classificou as reportagens sobre as preocupações de Caine como "100% incorretas". Segundo ele, o general e integrantes do governo preferem evitar uma guerra. Mas, caso os EUA decidam atacar o Irã, afirmou que Caine considera que o conflito seria "facilmente vencido". "Caine é um grande combatente e representa as Forças Armadas mais poderosas do mundo. Ele não falou em deixar de agir contra o Irã, nem mesmo sobre os supostos ataques limitados que tenho lido por aí. Ele só conhece uma coisa: VENCER. E, se for instruído a agir, estará liderando a linha de frente", escreveu. "Sou eu quem toma a decisão. Prefiro um acordo a não ter um, mas, se não houver acordo, será um dia muito ruim para aquele país e, muito infelizmente, para o povo de lá, que é grande e maravilhoso." Tensões Estados Unidos e Irã vivem uma escalada de tensões em meio a negociações para limitar o programa nuclear iraniano. Trump tem feito ameaças e afirmado que “coisas muito ruins” vão acontecer com o Irã se um acordo não for concluído. ▶️ Contexto: A crise ganhou força em janeiro, quando Trump ameaçou atacar o Irã após a repressão a manifestantes que protestavam contra o governo. Com o enfraquecimento dos atos, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano. Em resumo: Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio. O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear. Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio. O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções. Duas rodadas de conversas ocorreram nas últimas semanas: uma em Omã, no início do mês, e outra em Genebra, na terça-feira (17). Os EUA afirmam que houve pequenos avanços. As delegações dos dois países voltarão a se reunir na quinta-feira (26).