Marcon acusa ex-ministro de Lula de ‘fraudar um depoimento’ na CPMI do INSS

Uma nova denúncia marcou a sessão da CPMI do INSS desta segunda-feira, 23. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) acusou o líder do governo na comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), de ter participado de uma “articulação” para descredibilizar uma das principais testemunhas do colegiado. No seu depoimento, Marcon fundamentou a intervenção no regimento: “Presidente, eu tenho uma questão de ordem”. “Artigo 4º, inciso 4º, se me permite fazer a leitura. Fraudar por qualquer meio ou forma o regular andamento dos trabalhos legislativos para alterar o resultado da deliberação.” https://twitter.com/maubmarcon/status/2026034457388454267?s=46 O parlamentar citou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo e relatou a suposta participação do líder governista em reunião realizada no Lago Sul, em Brasília. “Acho que é importante que o País saiba que um membro dessa CPI atuou para fraudar um depoimento nesta Casa”, alegou. “O líder do governo na CPMI, presidente, segundo notícias do Estadão , participou de uma reunião em uma mansão de quase 500 metros no Lago Sul para descredibilizar Eli Cohen, que veio até essa Casa e foi o principal denunciante do esquema de fraude do INSS.” + Viana anuncia recurso ao STF para prorrogar CPMI do INSS Paulo Pimenta é ex-ministro da Secom do governo Lula | Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados Segundo Marcon, um policial aposentado teria gravado a reunião e feito acusações contra a testemunha. O advogado Eli Cohen foi um dos protagonistas na exposição do esquema de desvios no INSS. “Este policial acusou que Eli Cohen estaria recebendo R$ 5 milhões de nós, da oposição, para prestar um depoimento contra o governo”, disse. “Este policial depois foi ao cartório dizer que tudo foi mentira e que, inclusive, participou da reunião com este líder do governo nesta mansão e que a promessa a este policial era receber R$ 30 mil reais mensais por dois anos pela falcatrua.” O deputado afirmou ainda que o líder governista apresentou requerimento com base nessas alegações. “Este parlamentar, líder do governo que está nesta Casa neste momento, inclusive apresentou, presidente, requerimento baseado nesta falsidade produzida. Sabe-se lá com que dinheiro, provavelmente roubado, como é costumeiro? Para que Eli Cohen voltasse a esta CPMI para desmenti-lo publicamente.” “Este cidadão não pode mais participar da CPMI. Ele participou de um esquema de uma reunião fraudulenta para coibir uma testemunha, gravá-la e mentir sobre ela”, declarou. “É bom que se deixe claro que se fala em prorrogação por parte dos governistas dessa CPMI. Quantos assinaram até agora a prorrogação dessa CPMI? Nenhum governista, nem senador, nem deputado. Eles querem, brasileiro, que isso seja esquecido.” Viana intervém em acusação O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), interrompeu a intervenção ao afirmar que a manifestação não configurava questão de ordem: “Está muito claro aqui que é uma matéria de mérito, com críticas à atividade parlamentar de membros dessa Comissão”. “O artigo que V. Excelência cita, inclusive, é do Código de Ética e todas essas questões têm que ser levadas também a uma Comissão de Ética”, analisou Viana. Ainda assim, concedeu a palavra ao líder do governo para resposta: “Eu vou dar ao líder Pimenta, uma vez que se trata de um comentário em relação a uma atividade supostamente ilícita”. Pimenta nega acusação na CPMI do INSS Ao rebater as acusações, Paulo Pimenta classificou o episódio como irrelevante: “Presidente, na realidade, isso trata-se de uma grande bobagem.” “Eu, assim como o senhor, assim como o relator, assim como o líder da oposição, todos nós aqui já fomos procurados por muitas pessoas tentando trazer informações sobre o que nós estamos investigando”, argumentou. “Para todas as pessoas, presidente, eu tenho um critério. Tem provas? Tem depoimento formalizado a alguma autoridade, seja ela na Polícia ou no Ministério Público? Não. Então não me interessa.” Pimenta confirmou que foi procurado pelo policial citado, mas negou qualquer irregularidade: “De fato, fui procurado por esta pessoa, como fui procurado por várias outras pessoas, e para todas elas eu mantive a mesma conduta”. “Se tem documento ou prova, eu posso inclusive dar um encaminhamento e trazer para essa comissão.” “Como eu não tive comprovação de que aquilo que as pessoas me diziam era verdade, não me apresentaram o documento, não prestaram depoimento à Polícia Federal, ou seja, onde for, para mim o assunto está encerrado e é por isso que eu não trouxe o assunto para a CPI”, declarou. “Portanto, é um factoide sem nenhuma seriedade.” O post Marcon acusa ex-ministro de Lula de ‘fraudar um depoimento’ na CPMI do INSS apareceu primeiro em Revista Oeste .