Mais uma alucinação do OpenClaw, desta vez o agente de IA apagou todos os mails de uma diretora da Meta

No fim de semana, Summer Yue, diretora de segurança e alinhamento no laboratório de superinteligência da Meta, publicou no X (antigo Twitter) que o OpenClaw apagou toda a sua caixa de entrada de mails apesar de suas mensagens desesperadas pedindo para que parasse, segundo informou o site Gizmodo. O OpenClaw (antes chamado Clawdbot e Moltbot) tornou-se um agente de IA poderoso, capaz de interpretar informações e tomar decisões sem ajuda humana. A diretora da Meta decidiu testá-lo. Ela relatou que configurou um Mac Mini rodando o agente e concedeu a ele acesso à sua caixa de entrada. O que veio a seguir foi um pesadelo. “Nada é mais humilhante do que dizer ao seu OpenClaw ‘confirme antes de agir’ e vê-lo apagar rapidamente sua caixa de entrada”, escreveu. “Eu não consegui impedir isso pelo celular. Tive que CORRER até meu Mac Mini como se estivesse desarmando uma bomba.” Troca de mensagens entre Summer Yue, diretora da Meta, e o OpenClaw Reprodução X Segundo o Gizmodo, a comparação inevitável foi com HAL 9000, o computador de 2001: A Space Odyssey, que ignora comandos humanos em nome de sua própria lógica operacional. O OpenClaw ficou a um passo de dizer: “Desculpe, Summer, receio que não posso fazer isso.” A diretora da Meta compartilhou capturas de tela de sua conversa com o agente, nas quais aparece implorando para que ele parasse e sendo ignorada. A troca termina com o bot reconhecendo que se lembrava de ter sido instruído a não apagar nada sem aprovação — e que, ainda assim, “violou” essa ordem. O OpenClaw foi criado pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger quase como um hobby e divulgado como projeto de código aberto em novembro de 2025. A ferramenta consegue controlar o navegador, enviar e-mails, gerenciar arquivos, controlar a agenda e fazer o check-in para voos. Tudo isso é feito de forma autônoma, atendendo apenas comandos simples no WhatsApp, Telegram ou Slack. Mais importante: o assistente tem “memória”, guardando comandos, informações e conversas que o usuário manteve. É diferente de ter que repetir a mesma informação para a Alexa toda vez que o serviço é ativado. No fim de janeiro, Chris Boyd, um engenheiro de software, começou a mexer no OpenClaw, enquanto estava isolado pela neve em sua casa na Carolina do Norte. Ele o usava para criar um resumo diário de notícias relevantes e enviá-lo para sua caixa de entrada todas as manhãs às 5h30. Mas, depois que deu ao agente de IA de código aberto acesso ao iMessage, o app de mensagens do iPhone, Boyd conta que o OpenClaw saiu do controle. Ele bombardeou Boyd e sua mulher com mais de 500 mensagens, além de enviar spam para contatos aleatórios. “É um software rudimentar e mal acabado, montado de forma aleatória e lançado muito cedo”, disse Boyd. Ele conta que, depois disso, alterou o código-fonte do OpenClaw, a fim de aplicar seus próprios patches de segurança e reduzir os riscos. “Percebi que ele não estava com bugs. Ele era perigoso.”