ONG que atuava na defesa de mulheres presas por aborto fecha as portas em El Salvador

Uma ONG em El Salvador que defendia mulheres presas por abortar anunciou nesta segunda-feira o encerramento de suas atividades após duas décadas de atuação, em meio ao aumento das restrições ao trabalho de associações civis no país. Imigrantes: Juiz federal dos EUA determina que governo auxilie retorno de venezuelanos enviados para El Salvador América Latina: Venezuela pede libertação de Maduro na ONU e acelera anistia enquanto reorganiza governo A Agrupación Ciudadana por la Despenalización del Aborto conseguiu que cerca de 80 mulheres “criminalizadas” por interromper a gravidez fossem libertadas, recordou a organização em comunicado. A entidade também promoveu, sem sucesso, mudanças na lei que pune o aborto com prisão, além de impulsionar condenações internacionais contra o Estado salvadorenho, acrescentou a ONG, que denuncia um ambiente “hostil” para seu funcionamento legal. O aborto é punido em El Salvador com penas de dois a oito anos de prisão, mas, em alguns casos, a Justiça o enquadra como homicídio qualificado, o que eleva a pena para até 50 anos de cárcere. 'El Mencho': México controla represália de cartel por morte de líder e confirma perda de 27 agentes de segurança; colaboração dos EUA se limitou a inteligência A associação lembrou que, em 2025, o Congresso, alinhado ao presidente de direita Nayib Bukele, aprovou uma lei de agentes estrangeiros semelhante às vigentes na Rússia e na Nicarágua, que estabelece um imposto de 30% sobre os recursos ou doações recebidos do exterior por ONGs. Coletivos de direitos humanos denunciam que essa norma busca silenciar críticas ao governo de Bukele, acusado de cometer abusos no contexto de sua guerra contra as gangues. Por esse motivo, a reconhecida organização Cristosal e outras entidades humanitárias encerraram suas operações no país em 2025 e passaram a atuar no exílio. Initial plugin text Apesar do que considera um “contexto adverso e de perseguição”, o coletivo anunciou que continuará seu ativismo em El Salvador com enfoque regional. A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou, em dezembro de 2024, o Estado salvadorenho por ter impedido, em 2013, o aborto de uma mulher de 22 anos conhecida pelo pseudônimo de Beatriz, embora sua vida estivesse em risco e o feto apresentasse uma malformação congênita.