Veja as tecnologias que marcaram o crime e a investigação das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes

Câmeras de segurança fora de operação, veículo com placa clonada e utilização de armamento de uso restrito fazem parte do conjunto de tecnologias identificadas na execução do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Para identificar cada um dos recursos utilizados, os investigadores do caso também contaram com uma série de equipamentos e práticas de inteligência. Relembre: Caso Marielle expôs o submundo do crime no Rio com pistoleiros e envolvimento de politicos Terra prometida: traficantes ocupam região que ex-PM diz que receberia pelo assassinato da vereadora Os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz: condenados pelo assassinato de Marielle e Anderson Pablo Jacob e Alexandre Cassiano As investigações apontaram como executores o sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado de efetuar os disparos, e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, indicado como motorista do Chevrolet Cobalt prata utilizado na emboscada. Os dois já foram condenados pelo crime. Um dos destaques foi o trabalho de reconstrução dos fatos, que ajudou a encontrar o trajeto dos envolvidos e a cronologia dos fatos. Vale lembrar, que Marielle deixava o evento "Jovens Mulheres Movendo as Estruturas", na Lapa, região central do Rio, e seguia para casa, no bairro da Tijuca, Zona Norte. A vereadora estava dentro do Chevrolet Agile branco dirigido por Anderson, quando o carro foi atingido por disparos na Rua Joaquim Palhares, no Estácio. Uma assessora que também estava no veículo sobreviveu. Caso Marielle: o que acusação e defesa vão apresentar no julgamento que começa terça-feira no STF Tecnologias utilizadas no crime Câmeras desligadas De acordo com as investigações, ao menos cinco câmeras da Secretaria de Segurança que estavam no trajeto das vítimas se encontravam desligadas no período entre 24 e 48 horas antes do crime. O contrato de manutenção das câmeras havia se encerrado quatro meses antes, mas elas continuaram funcionando normalmente até serem desconectadas. Placa clonada Imagens de câmera mostram Marielle Franco deixando evento antes do crime e outro carro saindo atrás logo depois Reprodução Para os assassinatos, também foi utilizada placa clonada. A identificação ocorreu por meio de uma câmera de segurança na Rua dos Inválidos, no Centro. A placa do Cobalt possibilitou à Polícia verificar que havia um carro cadastrado com numeração clonada pelos autores do crime. No momento da ação criminosa, o veículo oficialmente cadastrado estava estacionado na garagem de uma cuidadora de idosos, na Zona Sul do Rio. A informação foi adquirida mediante sinal de GPS. Investigações apontam: Caso Marielle expôs o submundo do crime no Rio com pistoleiros e envolvimento de políticos Arma do crime Submetralhadora do mesmo modelo da que foi usada para matar Marielle e Anderson Reprodução Ainda em 2018, a polícia descobriu que a arma utilizada para o crime havia sido uma submetralhadora modelo MP5, calibre 9mm, fabricada pela empresa alemã Heckler & Koch. A identificação foi feita por meio da análise das cápsulas recolhidas no local. Descarte de armas no mar Após a prisão de Ronnie Lessa na Operação Lume, a investigação apontou que armas teriam sido retiradas de um imóvel ligado ao sargento, a mando de sua esposa, e jogadas de barco em alto-mar. Imagens mostram José Márcio Fernandes Mantovani, conhecido como Márcio Gordo, apontado pelo Ministério Público como amigo de Lessa, deixando um condomínio no Pechincha com uma caixa na véspera da operação policial. Morte de vereadora: Saiba tudo sobre o caso Marielle em 15 pontos Interceptações telefônicas registraram conversas entre Mantovani e Josinaldo Lucas da Silva, conhecido como Djaca, descrito nas investigações como pescador com atuação na região da Barra da Tijuca. Nos diálogos, eles utilizavam termos codificados para tratar do descarte de objetos. O depoimento que detalha o lançamento das armas ao mar foi prestado por Josinaldo Lucas da Silva à Delegacia de Homicídios. Segundo o relato, seis armas foram jogadas no mar, na altura das Ilhas Tijucas, após contratação de uma embarcação. A suspeita é de que entre elas estivesse uma submetralhadora HK MP5, fabricada pela empresa alemã Heckler & Koch, apontada pela perícia como a arma utilizada nos assassinatos. A Marinha realizou buscas na área. Tecnologias utilizadas na investigação Leitura automática de placas (OCR) Uma câmera do município equipada com tecnologia de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) registrou, às 17h34, no Itanhangá, a placa do Cobalt utilizado no crime, entre o Quebra-Mar e a Casa das Pretas. O sistema captou letras e números e os converteu em dados, mesmo sem gerar imagem nítida do veículo. Análise de imagens e defeito no veículo Imagens de câmeras de segurança permitiram acompanhar o trajeto do Cobalt da Barra da Tijuca até o Centro. A identificação também considerou um defeito na parte traseira do automóvel, apontado como elemento característico. Raios infravermelhos Técnicos do laboratório de imagens do Ministério Público utilizaram tecnologia de raios infravermelhos para examinar registros do interior do Cobalt. A técnica permitiu evidenciar uma tatuagem no braço direito de um dos ocupantes do veículo, posteriormente associada a Ronnie Lessa. Rastreamento por antenas de celular O rastreamento por antenas de telefonia foi utilizado para posicionar os investigados na cena do crime. A análise identificou deslocamentos da Barra da Tijuca até a Rua dos Inválidos, o período de permanência nas imediações do evento onde estava a vereadora e o retorno após os disparos. Interceptações telefônicas Interceptações autorizadas pela Justiça registraram diálogos entre suspeitos sobre retirada e descarte de armas. O conteúdo fundamentou pedidos de prisão e mandados de busca e apreensão. Análise de registros digitais A investigação identificou, em e-mail atribuído a Ronnie Lessa, pesquisa realizada em 10 de novembro de 2017 com o termo “submetralhadora HKMP5”. O termo voltou a aparecer em buscas feitas entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018. Perícia na iluminação da Lapa Em fevereiro de 2019, equipes do Ministério Público e da Polícia Civil analisaram a iluminação da Rua dos Inválidos para verificar a origem de um brilho captado por câmera de segurança no interior do Cobalt, com o objetivo de confirmar o uso de telefone celular por um dos investigados. Initial plugin text