O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que a escolha do general Braga Netto como vice de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 foi um “erro” e que ele deveria ter colocado uma mulher no posto para angariar o voto feminino. Agora, Valdemar defende que Flávio Bolsonaro (PL) tenha como vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) — ainda que o mineiro afirme que pretende concorrer ao Planalto. Escala 6x1: Líderes do PL e União tentarão barrar votação por receio de derrota: ‘seria avassaladora’ — Nós não podemos perder os votos que nós perdemos no passado. O Bolsonaro quis pôr como vice-presidente o Braga Neto, que é um homem do bem, um homem decente, um homem correto, mas que não dava um voto para ele. E eu insisti com ele, falei “olha as pesquisas como nós estamos, Bolsonaro, põe a Tereza Cristina”, mas o Bolsonaro teimoso, disse “não quero saber, meu vice é o Braga Neto”. E foi um erro que cometemos, porque nós perdemos a eleição — falou durante evento do grupo Esfera Brasil, na noite desta segunda-feira (23). Valdemar afirmou que a votação “será bastante equilibrada” e falou da importância de “ganhar no primeiro turno”, inclusive conclamando a direita a se unir e dizendo que “não há possibilidade de ter outro candidato no segundo turno que não Lula e Flávio”. — Nós não podemos perder votos no Ceará, nós não podemos perder votos no Mato Grosso, nós não podemos perder votos aonde nós pudermos ter, porque a diferença vai ser pequena, não vai ser grande – continuou. Questionado pelo GLOBO sobre sua preferência para a vice de Flávio, o presidente do PL falou que a situação ainda está indefinida, mas defendeu Tereza Cristina ou Romeu Zema, e falou que conversará com os dois sobre o tema, ainda que a palavra final seja de Bolsonaro. — Mas a Tereza tem um voto feminino. Um voto feminino poderia agregar. As mulheres estão em alta. As mulheres são muito melhores do que os homens. E a Tereza, apesar de ter aquele tamanho dela, ela tem um carisma que ninguém tem. Mas é o Bolsonaro quem manda — ponderou. Crise com a família Valdemar minimizou os embates que teve com o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que reagiu a uma fala do líder partidário sobre o ex-presidente não ter a prerrogativa de definir os candidatos a governadores em todo o país. — Ele (Bolsonaro) escolhe, o Bolsonaro manda no partido, porque é ele que tem prestígio. O Bolsonaro tem uma conversa comigo, um acordo: “o Valdemar decide os governadores e eu decido os senadores”. Mas eu não decido nenhum governador sem consultar nossos deputados e sem consultar nossos senadores. E o Bolsonaro também, ele faz isso. Então, não existe isso de você não poder escolher. Todos nossos deputados e senadores são ouvidos. Nós não fazemos nada sem ouvir os deputados do estado. São eles que têm força para decidir quem são os candidatos ao governo do estado e a senador — acrescentou. Carlos visitou o pai na prisão no sábado e, no mesmo dia, anunciou que seu pai está elaborando uma lista de candidatos nos estados. Horas depois, em entrevista ao portal Poder360, Valdemar disse que a atribuição de Bolsonaro é indicar apenas os nomes ao Senado, enquanto o partido define os arranjos estaduais. — Debatemos tudo mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros — disse Valdemar. Neste domingo, Carlos repercutiu a declaração de Valdemar. De acordo com ele, "ninguém disse" que a família Bolsonaro não conversa com ninguém e que não poderia indicar governadores. O ex-vereador sustentou já haver o entendimento de que seu pai iria elaborar uma relação com os nomes que apoia, além de frisar que o PL poderia apoiá-lo nisso e "em outras situações", e que "as coisas estão meio desencontradas.