Brumadinho: começam as audiências do processo que julga responsabilidades pela tragédia

Justiça Federal começa audiências sobre rompimento de barragem em Brumadinho Em Belo Horizonte, começaram nesta segunda-feira (23) as audiências do processo que julga responsabilidades pela tragédia de Brumadinho. A sala de audiência ficou pequena para tanta gente interessada em acompanhar a sessão. Parentes de vítimas se reuniram do lado de fora, em uma vigília para cobrar respostas. “A Justiça brasileira, principalmente no estado de Minas Gerais, tem que dar o exemplo para que outras cidades e outras famílias não chorem como Brumadinho chorou. Estamos do primeiro dia ao último, até que a decisão seja concretizada e espero que todos os envolvidos sejam julgados e condenados”, diz Silas Fialho, presidente da Associação de Atingidos por Barragens/ MG. A Justiça marcou 76 audiências para ouvir 166 testemunhas de defesa e de acusação. Depois dessa etapa, os réus prestam depoimento. Só então, a Justiça decide se eles vão a júri popular. A previsão é que as audiências terminem somente em maio de 2027. Quinze acusados respondem à ação criminal: 11 funcionários da Vale e quatro da Tüv Süd - empresa contratada para atestar a estabilidade da barragem que se rompeu em janeiro de 2019. O colapso despejou uma enxurrada de lama e matou 270 pessoas. Os funcionários são acusados de homicídio e crime ambiental. Segundo o Ministério Público, eles conheciam os riscos de rompimento e não agiram para evitar a tragédia. As empresas respondem por crimes ambientais. Brumadinho: começam as audiências do processo que julga responsabilidades pela tragédia Jornal Nacional/ Reprodução Em nota, a Vale reafirmou o respeito às vítimas, às famílias e às comunidades atingidas, e disse que não comenta ações judiciais em andamento. A Tüv Süd declarou solidariedade às vítimas e às famílias e disse que não possui responsabilidade legal pelo acidente. O professor de Direito da PUC Minas Eduardo Bruno Milhomens explica que essa fase do processo é essencial para a produção de provas: "É um caminhar assim com muito cuidado para não ter nulidade, para que toda a prova seja colocada e posta da devida forma para evitar questionamentos futuros que vão... Aí vai se delongar mais". LEIA TAMBÉM Justiça Federal inicia audiências sobre rompimento da barragem em Brumadinho Brumadinho: após sete anos, bombeiros encerram buscas por vítimas da tragédia Brumadinho tem ato pela memória de tragédia 7 anos após rompimento de barragem