São Paulo, 23 - Respostas por meio da imprensa, mensagens nas redes sociais e acusações de pouco apoio à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dão os contornos dos recentes conflitos envolvendo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e até a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na última sexta-feira, 20, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, que Michelle e Nikolas deveriam se dedicar à campanha de Flávio Bolsonaro, hoje pré-candidato à Presidência da República, "com mais afinco". Segundo ele, a dupla estaria com "amnésia", já que foram eleitos e assumiram cargos sob o "guarda-chuva" político de Jair Bolsonaro. "Acho que o apoio está aquém do desejável. Pessoas que foram eleitas ou estão debaixo do guarda-chuva de Jair Bolsonaro, que se dizem seguidoras das suas ordens e determinações, deveriam ter se dedicado, com mais afinco, à campanha do Flávio", disse. Não é a primeira vez que Eduardo, que está nos Estados Unidos, critica a postura de Nikolas. Além de ter afirmado que Nikolas tem intenções de se descolar de Bolsonaro, Eduardo acusou o deputado, no ano passado, de ser pouco enfático na defesa por mais sanções dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, o filho 03 de Bolsonaro avalia que Nikolas e a ex-primeira-dama estariam unidos e se apoiando de forma constante por meio de declarações nas redes sociais. "Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê que, lado a lado, compartilham o outro e apoiam o outro nas redes sociais. Só estão com uma amnésia aí", acrescentou Eduardo. "Não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas o tempo todo". No sábado, 21, Nikolas rebateu as declarações de Eduardo após visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes. O deputado mineiro discordou de Eduardo, afirmou que o parlamentar cassado "não está bem" e saiu em defesa de Michelle. "Eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia Eu me lembro muito bem de todos os anos em que fui atacado injustamente", disse. "Diante das situações que estão acontecendo, nós temos o pai dele preso, enfrentando dificuldades de saúde; há as pessoas do dia 8 presas e precisando da derrubada do veto à dosimetria; o STF está envolvido em diversos escândalos (...). Então, eu acho que o Eduardo não está bem", completou. Ainda no sábado, Michelle publicou nas redes sociais que enviou ao marido "banana frita". "Ele ama", escreveu. Aliados de Eduardo interpretaram a postagem como uma provocação, já que o deputado cassado é chamado pejorativamente de "bananinha". Eduardo chegou a repostar a publicação de uma seguidora que escreveu: "Continuem fritando banana enquanto Flávio e Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o País". O ex-vereador Carlos Bolsonaro informou que também visitou o pai na prisão no último sábado, 21. Na ocasião, ele escreveu em uma rede social que cumprimentou os deputados federais Nikolas Ferreira e Ubiratan Sanderson (PL-RS) com um aperto de mão. Michelle e a campanha de Flávio Como mostrou o Estadão , a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não pretende se engajar na campanha de Flávio, decisão que já teria sido comunicada a Jair Bolsonaro. Segundo aliados, ela não fará campanha, mas também não deve atacar o senador publicamente. A ideia é manter postura discreta neste pleito, diferente de sua atuação nas disputas presidenciais anteriores. Flávio afirmou ao Estadão que fala "com Michelle" e que não vai "alimentar tentativas de divisão fabricadas por fontes ocultas e mentirosas". "Todos temos um objetivo em comum: resgatar o Brasil das mãos sujas do PT", declarou. Para interlocutores de Flávio, Michelle não teria ficado satisfeita com a escolha de Bolsonaro pelo senador, o "filho 01" A ex-primeira-dama nutriria a expectativa de ser vice em uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Estadão Conteúdo