Golpistas aproveitam o avanço das ferramentas de inteligência artificial para criar imagens falsas e aplicar fraudes online. Essas fotos geradas ou manipuladas por IA costumam ter alto nível de realismo, o que contribui para criar senso de urgência e enganar as vítimas em esquemas capazes de afetar emoções. Iskander Sanchez-Rola, diretor de IA e Inovação da Norton, alerta que "com as ferramentas de inteligência artificial disponíveis hoje, é possível fazer com que praticamente qualquer pessoa pareça estar fazendo quase qualquer coisa em questão de segundos, sem a necessidade de conhecimento técnico". Além disso, as imagens falsas geradas por IA costumam ser usadas para produzir deepfakes, técnica que aplica inteligência artificial para criar vídeos fraudulentas e realistas. "A IA pode fazer com que as pessoas pareçam estar em lugares onde nunca estiveram, fazendo coisas que nunca fizeram ou sendo retratadas de maneiras comprometedoras ou enganosas. Esse tipo de manipulação é extremamente perigosa e pode gerar consequências sérias no mundo real", enfatiza o especialista. Nas próximas linhas, conheça seis tipos de imagens falsas geradas por IA em golpes virtuais para não correr riscos. Golpes virtuais não param de crescer: veja 8 dicas para se proteger online Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Lista aponta seis tipos de imagens falsas criadas por IA e usadas em golpes virtuais; confira Divulgação/Getty Images É possível criar uma inteligência artificial em casa? Descubra no Fórum do TechTudo 1. Perfis românticos ou sociais falsos É comum que golpistas usem inteligência artificial para criar fotos que serão usadas em perfis falsos na Internet, sobretudo em apps de relacionamento, plataformas online ou redes sociais. O objetivo dos cibercriminosos é gerar identidades falsas convincentes, para ser possível interagir mais facilmente com as possíveis vítimas na web. Essa técnica é frequentemente aplicada como parte de golpes românticos ou esquemas de manipulação emocional de longo prazo. Com a imagem falsa, os golpistas fingem ser pessoas comuns interessadas em encontrar relacionamentos, por exemplo, apenas para obter dados sensíveis e financeiros das vítimas ou levá-las para sites falsos e disseminar malwares. Fotos geradas por IA podem ser usadas em perfis falsos no Tinder e outros apps de relacionamento Arte/TechTudo 2. Imagens de "prova" fabricadas e usadas em golpes Outro tipo de imagem fraudulenta gerada por ferramentas de IA são aquelas que exibem recibos falsos, compras de luxo, acidentes, emergências médicas ou capturas de tela manipuladas. Todo esse material fictício é usado para aplicar fraudes virtuais e enganar vítimas desatentas com supostas "provas" de cenários que parecem reais, mas na verdade são armadilhas. Dessa forma, quando a vítima recebe, por exemplo, uma imagem falsa e realista que mostra um recibo falso ou uma emergência médica fake, ela fica mais suscetível a agir por emoção. Assim, os cibercriminosos conseguem usar as imagens falsas para pressionar vítimas a enviar dinheiro rapidamente. Cibercriminosos podem usar "provas" falsas geradas por IA para aplicar golpes online Reprodução/Canva 3. Imagens alteradas usadas para chantagem ou extorsão Existem também as imagens manipuladas por inteligência artificial que colocam a vítima ou uma pessoa próxima à vítima em situações comprometedoras ou constrangedoras. Pode ser, por exemplo, uma falsa imagem da pessoa sem roupa, usando drogas ilícitas ou em qualquer cenário desfavorável e totalmente inventado. Em seguida, esses materiais fraudulentos são utilizados para ameaçar a exposição da pessoa na Internet caso um pagamento não seja realizado. Ou seja, os golpistas dizem que vão publicar supostas imagens ou vídeos comprometedores da vítima nas redes sociais e plataformas virtuais, a não ser que recebam determinada quantia financeira. Gal Gadot, atriz que interpreta mulher-maravilha, foi vítima de deepfake pornográfico Reprodução/Vice 4. Personificação de pessoas reais ou figuras de autoridade Com a técnica de deepfake, que usa IA para criar imagens realistas que imitam pessoas reais, como executivos, figuras públicas ou até mesmo familiares, os criminosos conseguem fazer com que esses indivíduos estejam em locais que nunca estiveram e falem palavras que jamais foram verbalizadas de verdade. Com isso, os golpistas usam essas imagens fraudulentas criadas por inteligência artificial com o objetivo de obter informações sensíveis, dinheiro ou disseminar informações falsas como parte de ataques de engenharia social, como manipular que um ator, cantor, empresário ou político fez ou falou algo que nunca aconteceu na realidade. Vídeo deepfake com Mark Zuckerberg causou polêmica nos Estados Unidos Reprodução / Instagram 5. Imagens falsas de produtos em golpes de e-commerce Mais uma fraude comum ocorre quando os cibercriminosos usam IA para produzir imagens altamente realistas de produtos que não existem ou que não correspondem à realidade. Depois, eles publicam os materiais em sites fraudulentos de comércio eletrônico ou anúncios enganosos em redes sociais, visando chamar a atenção dos consumidores. Quando a vítima morde a isca e acessa o site de e-commerce falso, ela acaba fornecendo dados pessoais e informações financeiras facilmente para os golpistas - mas nunca receberá o produto comprado. Por outro lado, os fraudulentos recebem dinheiro e podem usar os dados sigilosos da vítima para aplicar mais golpes online. Vítimas podem acreditar em fotos falsas de produtos em e-commerces fraudulentos Shutterstock 6. Imagens manipuladas criadas para gerar medo ou senso de urgência A inteligência artificial também consegue ser aplicada para criar situações que retratam desastres, prisões, ferimentos ou situações urgentes. Essas imagens são desenvolvidas especificamente para aplicar golpes, gerando medo e senso de urgência, o que provoca reações emocionais e leva as pessoas a agir sem verificação prévia. Na prática, se a vítima receber uma imagem realista que simula um acidente grave ou um desastre inesperado, por exemplo, a tendência é agir pela emoção e atender aos pedidos dos golpistas, que geralmente fazem pedidos de transações financeiras para resolver a suposta situação imediata e urgente. Imagens falsas da Torre Eiffel pegando fogo viralizaram na Internet Reprodução/TikTok O que fazer para reduzir os riscos? Segundo a empresa de cibersegurança Norton, é fundamental adotar medidas práticas de segurança para reduzir a exposição na Internet e evitar ser vítima de golpes que usam imagens geradas ou manipuladas por IA. A seguir, confira algumas dicas para se proteger: Compartilhe menos conteúdo visual no modo público: fotos ou vídeos pessoais podem ser reutilizados, manipulados ou retirados de contexto por terceiros sem consentimento. Tenha cautela ao compartilhar imagens em alta resolução: essas fotos podem ser reutilizadas ou alteradas com mais facilidade. Monitore sua presença digital: faça buscas periódicas por imagens ou informações pessoais para identificar possíveis usos indevidos dessas fotos. Desconfie de mensagens inesperadas: verifique com atenção os conteúdos que tenham imagens acompanhadas de pedidos de pagamento, ameaças ou pressão por urgência, mesmo que pareçam verdadeiros. Verifique a origem do conteúdo antes de reagir: lembre-se de checar quem criou ou compartilhou a imagem, o contexto dela e se uma fonte confiável confirma a autenticidade. Evite compartilhar ou republicar imagens ou vídeos de terceiros: tenha certeza de que esses materiais vêm de uma fonte segura e representam conteúdo autêntico. Evite interagir diretamente com possíveis golpistas: não responda contatos que estejam exercendo pressão ou urgência desconhecida e busque orientação com fontes confiáveis e com autoridades competentes. Use IA para identificar golpes: ferramentas tecnológicas, incluindo a própria inteligência artificial, podem ser úteis para identificar possíveis sinais de manipulação, além de ações como a verificação da fonte, do contexto e da intenção do conteúdo. Compartilhe recomendações: mantenha pessoas próximas, especialmente crianças e idosos, cientes das dicas de segurança, já que eles podem ser mais vulneráveis a esse tipo de fraude. Com informações de Norton Mais do TechTudo