Quem foi Marielle Franco: mulher negra, cria da Maré, socióloga, ativista de direitos humanos e vereadora

Mulher negra, nascida e criada no complexo de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio, Marielle Franco concentrou sua energia na luta por causas que estavam na raiz de sua formação como cidadã e liderança. Dedicou boa parte de sua vida a amplificar a voz dos oprimidos, denunciar a violência policial nas favelas, especialmente contra os negros, e militou pelo direito à moradia digna para as populações periféricas, além de atuar em defesa das causas feministas e dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Encontro que não aconteceu: Bacellar foi procurado por Brazão, réu no Caso Marielle, na mesma semana da prisão do conselheiro do TCE Caso Marielle: Touca ninja, silenciador e medo de policiais: como foi a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes Formou-se em sociologia pela PUC-Rio, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em sua dissertação — cujo título foi “UPP: a redução da favela a três letras” — faz uma reflexão sobre o programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), iniciado em 2008, e suas consequências. Mãe aos 19 anos, trabalhou em organizações como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Sua militância política em defesa dos direitos humanos começou cedo e teve base na vivência concreta de quem habita as favelas cariocas: ainda muito jovem, perdeu uma amiga morta por uma bala perdida durante tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré. Em 2006, aos 27 anos, engajou-se na campanha de Marcelo Freixo a deputado estadual pelo PSOL. Após a vitória, passou a integrar a equipe do parlamentar como assessora e chegou a coordenar a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Dez anos depois, disputou uma cadeira na Câmara Municipal pela coligação Mudar é Possível (PSOL/PCB) e foi eleita com 46.502 votos, tornando-se a quinta vereadora mais votada na cidade naquelas eleições. Na Câmara, comandou a comissão de Defesa da Mulher e fez parte, como relatora, da comissão criada especificamente para monitorar as ações decorrentes da intervenção federal no Rio iniciada em fevereiro de 2018. Em pouco mais de um ano como vereadora, apresentou 16 projetos de lei, dos quais dois foram aprovados: um deles para construção de Casas de Parto, destinadas à realização de partos normais, e outro para regular a atuação dos mototáxis. No dia 14 de março de 2018, Marielle Franco foi até a Casa das Pretas, na Lapa, onde participou de uma roda de conversa. Ao sair, por volta das 21h, foi seguida e assassinada a tiros no Estácio, quando estava a caminho de casa. No atentado, Anderson Gomes, seu motorista, também morreu. Uma assessora que também estava no carro foi atingida por estilhaços e sobreviveu. A vereadora tinha 38 anos. Seu corpo foi velado no dia seguinte, sob forte comoção, na Câmara Municipal, na Cinelândia. O crime chocou o país e teve repercussão internacional. Initial plugin text