Plataformas de bem-estar digital crescem diante de demanda por saúde mental acessível

A saúde mental passou a ocupar posição estratégica na economia contemporânea. O que antes era tratado majoritariamente como tema clínico ou individual hoje integra discussões sobre produtividade, competitividade empresarial e sustentabilidade do mercado de trabalho. A digitalização dos serviços psicológicos é parte dessa transformação estrutural. O crescimento do setor é expressivo. Relatórios internacionais de mercado indicam que a indústria global de terapia online deve movimentar cerca de US$ 7,6 bilhões em 2026 e pode alcançar US$35,6 bilhões até 2035, com taxa média anual de crescimento estimada em 16,7%. O avanço sinaliza uma mudança consistente no comportamento de consumo de serviços de saúde mental e na forma como empresas estruturam benefícios e políticas internas. No Brasil, onde o acesso a atendimento psicológico ainda é desigual, plataformas digitais vêm ampliando a capilaridade do cuidado. A combinação entre atendimento remoto, menor custo operacional e flexibilidade de horários reduz barreiras históricas relacionadas a deslocamento, disponibilidade de profissionais e preço médio das consultas presenciais. A discussão ganha relevância adicional quando analisada sob a ótica econômica. Organizações multilaterais como a Organização Mundial da Saúde já apontaram que os transtornos mentais impactam significativamente a produtividade global, gerando bilhões em perdas associadas a absenteísmo, presenteísmo e rotatividade. O cuidado preventivo e o acesso facilitado a suporte psicológico passam, assim, a ser considerados instrumentos de mitigação de risco corporativo. É nesse contexto que atuam healthtechs como a Unolife, que conecta usuários a profissionais de saúde mental por meio de plataforma digital. Segundo Caroline Macarini, fundadora da empresa, o crescimento do setor responde a uma demanda concreta do mercado de trabalho contemporâneo. “A saúde mental deixou de ser um tema periférico nas empresas. Hoje ela está diretamente ligada à performance, à retenção de talentos e à sustentabilidade das equipes”, afirma. A incorporação de programas de terapia online como benefício corporativo tem se tornado prática recorrente, especialmente em setores com alta pressão por desempenho. A digitalização facilita a implementação de políticas de cuidado em larga escala, permitindo que empresas ofereçam suporte psicológico a colaboradores distribuídos geograficamente, sem necessidade de infraestrutura física dedicada. Para Caroline, o desafio central é estruturar o crescimento com responsabilidade técnica. “Escalar não significa automatizar o cuidado. A tecnologia é meio, não fim. A qualidade do atendimento e a qualificação dos profissionais continuam sendo o eixo central da proposta”, diz. O avanço da terapia digital também dialoga com mudanças culturais. A redução do estigma em torno da saúde mental e a maior familiaridade com serviços online ampliaram a aceitação do modelo remoto. O que começou como alternativa durante períodos de restrição sanitária consolidou-se como modalidade permanente de atendimento. Do ponto de vista macroeconômico, a consolidação de soluções digitais em saúde mental sinaliza uma reconfiguração do setor de bem-estar. Ao integrar tecnologia, gestão e cuidado clínico, o segmento passa a ocupar posição estratégica dentro da economia da saúde, uma das áreas que mais crescem globalmente. À medida que empresas buscam aumentar produtividade e reduzir riscos trabalhistas, e indivíduos priorizam qualidade de vida e equilíbrio emocional, a terapia online deixa de ser apenas uma conveniência digital para se tornar parte da infraestrutura contemporânea de trabalho e desenvolvimento humano.