Julgamento do caso Marielle: veja o que sustentam a acusação, a defesa dos réus e as provas em questão

Quem mandou matar Marielle? A pergunta que ecoa sem resposta há quase oito anos começará a ser respondida nesta terça-feira. O julgamento dos cinco réus acusados de ordenar e planejar a execução da vereadora ocorre a partir da manhã desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF). No crime, o motorista Anderson Gomes também foi morto na emboscada. Caso Marielle: Acompanhe o julgamento dos acusados de ordenar e planejar a execução da vereadora A demora para chegar a esse ponto se deve a uma intrincada trama criada para obstruir as investigações que envolveu a cúpula da Polícia Civil à época, além de políticos e uma rede de matadores de aluguel com profundas conexões com o crime organizado. Saiba o que sustenta a acusação, o que alega a defesa e quais as provas em questão. Entenda o que sustenta a acusação A acusação diz que a motivação do crime estaria ligada a interesses fundiários em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa é a principal prova. Lessa afirmou aos investigadores que foi contratado pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão para matar Marielle Franco. Uma testemunha afirma que Lessa e os irmãos frequentavam o mesmo criatório de pássaros. O ex-PM relatou que recebeu a arma (HK MP5) por intermédio de Edmilson Oliveira, o Macalé (morto em 2021). Lessa disse que arma foi devolvida e descartada após o crime. Ex-PM alegou que carro usado na execução foi levado para desmanche e teve placa destruída. Registros indicam que celulares de Lessa e Domingos se conectaram à mesma antena na Barra durante reunião que teria tratado do crime. Investigação aponta conflito político entre Marielle e Chiquinho por projeto urbanístico. O que diz a defesa Alega que a acusação se baseia essencialmente na delação e pede a absolvição por insuficiência de provas. Os advogados argumentam que não há provas independentes que confirmem o relato de Lessa. Equipe de defesa afirma haver contradições na versão do ex-PM sobre o destino da arma. Conexão na mesma antena não comprova reunião, pois Domingos mora na região. Alega que não é possível condenar alguém apenas com a palavra de um delator. Saiba as provas em questão Arma nunca foi localizada. Veículo usado no crime não foi encontrado. Projéteis não foram recuperados. Não há mensagem, gravação ou documento direto que comprove a ordem de execução. A própria Polícia Federal registra dificuldade de produzir prova material anos após o crime.