O vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho deu início há pouco à manifestação da acusação na primeira sessão de julgamento, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, dos supostos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. O Ministério Público Federal pede a condenação dos irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, por organização criminosa, duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado. Segundo o MPF, os assassinatos foram praticados por motivo torpe e perpetrados mediante paga ou promessa de recompensa. Além dos irmãos Brazão, são julgados o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo Alves Pereira, o ‘major Ronald’ pelos assassinatos de Marielle e Anderson, assim como pela tentativa de homicídio contra Chaves; assim como o ex-assessor do TCE, Robson Calixto Fonseca, o ‘Peixe’, por organização criminosa junto dos irmãos Brazão. Após a manifestação da PGR, que pode durar até uma hora, há a expectativa de pronunciamento dos representantes dos assistentes da acusação: a sobrevivente Fernanda Chaves, a mãe de Marielle, Marinete da Silva, e a mulher de Anderson, Agatha Arnaus Reis. Em seguida, está prevista a leva de sustentações orais dos advogados dos réus. Trechos das alegações finais do Ministério Público já foram relembrados pelo relator, Alexandre de Moraes, durante a leitura do relatório do caso perante a Primeira Turma do STF. O ministro citou, por exemplo, a ponderação da Procuradoria de que Marielle era o “mais ativo símbolo da resistência aos interesses econômicos” dos irmãos Brazão e sua morte “serviria a dois propósitos, a saber, o de eliminar a oposição política que personificava e o de dissuadir outros integrantes do grupo de oposição a imitar-lhe a postura”.