A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul indicou, nesta terça-feira, que a tirolesa onde dois convidados morreram durante uma festa de casamento em Bonito, no estado de Mato Grosso do Sul, era totalmente metálica e possuía, no topo da torre, um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. As condições poderiam ter energizado toda a estrutura e causado a morte das vítimas. A informação foi divulgada pela Delegacia de Polícia de Bonito, responsável pelo inquérito instaurado para apurar as circunstâncias das mortes, ocorridas na manhã do último domingo, em uma chácara na área rural do município. Segundo a polícia, relatos de familiares e de pessoas presentes indicam que, após o uso da tirolesa, as vítimas teriam sofrido descarga elétrica ao entrar em contato com o equipamento e com a água do açude, submergindo em seguida. Indícios preliminares De acordo com a corporação, equipe da perícia oficial esteve no local acompanhada por investigadores da delegacia, com apoio material de técnicos da Energisa. Durante os exames preliminares, foi constatado que a estrutura da tirolesa era inteiramente metálica. No topo da torre, havia iluminação instalada com fiação considerada antiga e com trechos desencapados. Segundo a nota, essa condição “poderia ter energizado toda a estrutura”, hipótese que, ainda de acordo com a polícia, é compatível com depoimentos de testemunhas e com lesões cutâneas apresentadas por uma das vítimas. A Polícia Civil ressaltou que as informações são preliminares e que aguarda a juntada dos laudos periciais de local e necroscópicos para conclusão técnica sobre a dinâmica do fato e eventual responsabilização criminal. A corporação destacou ainda que a participação da Energisa se deu exclusivamente como apoio material à perícia e que o caso ocorreu integralmente na área interna da chácara, sem relação aparente com a rede pública de energia. Quem são as vítimas? Os amigos que morreram no local foram identificados como Gustavo Henrique Camargo, de 29 anos, morador de Caarapó, e Pedro Henrique de Jesus, de 20 anos, morador de Vicentina. Conforme os relatos colhidos pela polícia, após a descida pela tirolesa e o contato com a água do açude, ambos teriam sido atingidos por descarga elétrica e sofreram parada cardiorrespiratória. Pedro entrou na água para tentar socorrer Gustavo e também acabou submergindo, segundo informações da TV Morena. As vítimas foram socorridas inicialmente por pessoas que estavam no local. Gustavo chegou a ser reanimado e transferido para a Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu. Pedro foi levado ao hospital de Bonito e morreu no mesmo dia. Irregularidade do local Após o acidente, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) informou que a propriedade não possuía Certificado de Vistoria, documento necessário para emissão de alvará de funcionamento para eventos. A estância foi notificada, autuada e interditada. As investigações seguem em andamento. Leia a nota da Polícia Civil na íntegra: "A Delegacia de Polícia de Bonito informa que instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de duas pessoas ocorrida na manhã do dia 22 de fevereiro de 2026, em uma chácara no município, fato já noticiado pela imprensa. Segundo relatos de familiares e pessoas presentes, após o uso da tirolesa, as vítimas teriam sofrido uma descarga elétrica ao entrarem em contato com o equipamento e com a água e submergiram. Equipe da perícia oficial, acompanhada por equipe da Delegacia de Polícia de Bonito, com o apoio material de técnicos da Energisa, realizou medições e exames preliminares no local. Foi constatado que toda a estrutura da tirolesa era metálica e que, no topo da torre, havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados, o que poderia ter energizado toda a estrutura, corroborando depoimentos de testemunhas e lesões cutâneas apresentadas por uma das vítimas. Ressalta-se que todas as informações são preliminares e as investigações continuam. A autoridade policial aguarda a juntada dos laudos periciais de local e necroscópicos aos autos para conclusão técnica sobre a dinâmica do fato e eventuais responsabilidades criminais. Cumpre destacar que a participação da Energisa se deu exclusivamente como apoio material à perícia, e que o fato ocorreu integralmente na área interna da chácara, sem relação aparente com a rede pública de energia. Novas informações serão divulgadas à imprensa assim que houver avanço nas investigações. Delegacia de Polícia de Bonito 24 de fevereiro de 2026"