O julgamento dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes no Supremo Tribunal Federal (STF) será o primeiro da corte desde a Constituição de 1988, mas não da história do plenário. Em 1947, o STF julgou o desembargador da Bahia Edgar Joaquim de Souza Carneiro pela morte do advogado Otávio Barreto dentro do Tribunal de Justiça da Bahia. O magistrado foi inocentado após os ministros entenderem que ele agiu em legítima defesa. Terra prometida: traficantes ocupam região que ex-PM diz que receberia pelo assassinato da vereadora Quase um encontro: Bacellar foi procurado por Brazão, réu no Caso Marielle, na mesma semana da prisão do conselheiro do TCE O caso foi parar na Suprema Corte porque o STF era o foro privilegiado para julgar desembargadores de tribunais estaduais. Atualmente, esses casos são de competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), criado na última Constituição. Segundo a denúncia de Themístocles Cavalcanti, então Procurador Geral da República, o crime ocorreu em 29 de outubro de 1946. O desembargador Edgar Joaquim tinha desavenças com a vítima e teria mandado o advogado deixar um dos cartórios do Tribunal. Com a recusa de Otávio, começou uma discussão que culminou com o assassinato. Dois meses após o crime, o desembargador foi interrogado no STF e afirmou que Otávio Barreto era uma "pessoa inimiga" porque já "o agredira brutalmente em plena rua". Joaquim contou estar de saída do Fórum aquele dia e foi ao térreo buscar seu chapéu, quando percebeu a presença da vítima na porta de cartório judicial, onde ele iria pegar o acessório. Ele alegou que a presença do advogado ali era um "sério constrangimento", já que não poderia recuar, pois "era obrigado a ir em busca do chapéu". O desembargador disse então ter percebido que o advogado o estava espreitando, "fingindo ler autos", e concluiu que ele queria repetir as agressões anteriores. O desembargador contou ter pedido para Otávio Barreto sair, mas o advogado negou. Após a recusa, Barreto teria atirado com um revólver na direção de Joaquim, que revidou e matou o homem. Os ministros do STF, por unanimidade, entenderam que o desembargador Edgar Joaquim de Souza Carneiro agiu com legítima defesa e o absolveu pela morte. O Tribunal funcionava na Avenida Rio Branco, onde hoje funciona o Centro Cultural Justiça Federal. A sede foi transferida em 1960 para Brasília.