Crachá de estágio na Justiça Federal de Roraima, unidade liada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) Arquivo pessoal O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a apuração imediata das denúncias de assédio moral, perseguição profissional e tratamento discriminatório feitas por uma estagiária de Direito contra o diretor de secretaria, Paulo Rhuan Melo, e o juiz federal, Diego de Carmo Souza, que atuam na 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Roraima (SJRR). A decisão foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, e publicada no Diário da Justiça na sexta-feira (20). No despacho, o corregedor estabeleceu prazo de 60 dias para que a Corregedoria local informe ao CNJ quais providências foram adotadas no caso. "É um passo importante para garantir a preservação das provas e a análise rigorosa da conduta dos envolvidos", disse a estagiária ao g1. O g1 procurou Paulo Rhuan e Diego de Carmo por meio da Diretoria do Foro, mas não foi respondido até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Segundo a decisão, a estagiária relatou ter sido alvo de assédio moral, perseguição profissional e intimidação verbal, além de ter sofrido boicote no fornecimento de ferramentas de trabalho e um remanejamento compulsório, que, segundo ela, foi usado como forma de punição velada. Ela, que preferiu não se identificar, iniciou o estágio em setembro de 2025, após processo seletivo. A estagiária permaneceria até setembro deste ano, mas pediu desligamento após ser designada para atividades administrativas, quando deveria atuar na área de Direito. LEIA TAMBÉM: Estagiária de Direito denuncia diretor na Justiça Federal por assédio e perseguição em RR Estagiária de Direito pede desligamento após denunciar assédio na Justiça Federal em RR Ainda conforme o relato, ao procurar o diretor do Foro para denunciar os episódios, a estudante afirma ter sido recebida de forma agressiva e que o magistrado teria gritado com ela no gabinete, ordenando que ela “entendesse o seu lugar de estagiária”. A denúncia aponta que as câmeras de segurança do fórum podem comprovar o ocorrido. Ao analisar o caso, o corregedor nacional considerou “salutar a apuração dos fatos” e decidiu encaminhar o processo à Corregedoria-Geral de Justiça local, que ficará responsável pela investigação. O CNJ informou ainda que irá monitorar o andamento do procedimento de forma remota. Denuncia e desligamento A estagiária pediu desligamento do estágio em janeiro de 2026, antes do fim do contrato, após denunciar que foi impedida de exercer funções jurídicas e transferida para atividades administrativas. O caso já havia sido levado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e à Polícia Federal. Em apuração administrativa anterior, uma comissão do TRF1 concluiu que não houve caracterização de assédio moral, apontando divergências administrativas. A estudante, no entanto, afirma que houve omissão diante das provas apresentadas. Assédio moral no trabalho: Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.