Em uma tentativa de se apresentar como um nome mais palatável ao mercado e se descolar da imagem mais ideológica associada ao bolsonarismo raiz, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem intensificado movimentos para profissionalizar sua estratégia política e de comunicação. A ideia, segundo aliados, é clara: construir uma candidatura com contornos diferentes do perfil do pai. De 2018, Flávio quer repetir a 'fórmula do Posto Ipiranga', quando Jair Bolsonaro buscou se 'vacinar' junto ao mercado com a escolha de Paulo Guedes como o seu guru na economia. Agora, Flávio tenta reproduzir essa lógica, tanto na montagem de uma equipe econômica, e quer estender para nomes experientes no marketing eleitoral. Acesse o canal da Sadi no WhatsApp Nesse contexto, Flávio sondou o marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha presidencial de Aécio Neves em 2014. Hoje, Vasconcelos trabalha com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também se movimenta como pré-candidato ao Planalto. A investida de Flávio é vista como um gesto estratégico, não apenas pelo peso técnico do marqueteiro, mas principalmente pelo seu profundo conhecimento de Minas Gerais. Minas é tratada, dentro do grupo bolsonarista, como peça-chave. O estado é historicamente considerado o fiel da balança das eleições presidenciais e, por isso, passou a ocupar o centro do tabuleiro político de Flávio e de Lula — e de todos os candidatos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Não por acaso, aliados do senador também passaram a defender a hipótese de uma chapa que tenha o governador Romeu Zema como vice. A avaliação é que a presença de Zema ajudaria a ampliar pontes com o empresariado, reforçar o discurso liberal e, ao mesmo tempo, consolidar um palanque competitivo em Minas. Na prática, os movimentos de Flávio indicam uma estratégia mais ampla: suavizar a imagem, profissionalizar a comunicação e fazer acenos claros ao mercado e ao eleitorado mineiro, numa tentativa de se viabilizar como herdeiro político viável do bolsonarismo em um cenário pós-Bolsonaro.